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Eclosão de cistos de
artêmias salinas
Sem dúvida alguma, os náuplios de artêmias
salinas, recém eclodidos de seus cistos, são a base
alimentar dos alevinos de Bettas splendens em cada 9, entre
10 estufas de criadores brasileiros, sem medo de exagero.
Há quem ofereça apenas os náuplios de artêmias,
logo após o saco vitelino do alevino estar esgotado. Pulando
a fase de oferecimento de infusórios, paramécios,
rotíferos, vermes-do-vinagre e até mesmo daphnias.
Mesmo sabendo que nem todos os alevinos irão conseguir se
alimentar deles, por serem grandes para algumas das pequenas bocas.
Mesmo os menores náuplios. É óbvio que o processo
seletivo da sobrevivência dos maiores e melhores preparados
já se instala no plantel bem cedo. Os menores não
sobreviverão.
Eu prefiro introduzir os náuplios aproximadamente na segunda
semana de vida do alevino. Mas isto não quer dizer que o
manejo descrito acima esteja errado, apenas não é
o meu. Mas é importante trazê-lo a luz e você
decide qual será o seu caminho.
Abaixo vou apresentar como faço a eclosão dos cistos
de artêmias salinas, de forma artesanal, bem simples e barata...
Você vai precisar de:
-
"Artemeira";
-
Bomba aeradora;
-
Luminária c/ lâmpada econômica;
-
Difusor de ar (1 Entrada/2 Saídas), com
controle de vazão;
-
1 termômetro submersível (se possível
consiga uma ventosa para fixá-lo à parede do pet,
internamente);
-
2 aquecedores de 1 Watts/Cd. (serão usados
apenas no inverno);
-
15 cm de mangueira transparente para ligar o
difusor de ar à bomba aeradora (comumente usada em aquarismo);
-
1 colher rasa de café de cistos de artêmia
salina;
-
3 colheres de sopa cheias de sal-grosso (de
churrasco, s/ iodo);
-
1 colher rasa de café de bicarbonato
de sódio/litro d'água (isto deverá ser
o suficiente para elevar o pH da água para 8,0);
-
2 litros de água descansada (isenta de
cloro)
-
1 pedaço de meia-de-nylon feminina (para
tampar a "artemeira");
-
1 pedaço de elástico de costura
(para prender a meia-de-nylon à "artemeira");
-
1 puçá de nylon 077 fios, para
coletas;
-
Vasilha capaz de absorver o volume de água
que cabe na "artemeira", no momento da coleta.

Como proceder:
-
Posicione a "artemeira" num nível
mais baixo que a bomba aeradora, para evitar curto-circuito,
caso haja retorno de fluxo de ar/água pela mangueira,
por exemplo, depois de falta de energia elétrica;
-
Acople a mangueira que sai por baixo da "artemeira",
numa das saídas do difusor de ar;
-
Adicione água na "artemeira",
até completar aproximadamente 3/4 de sua capacidade total;
-
Adicione sal-grosso e bicarbonato de sódio;
-
Ligue a bomba aeradora e regule o fluxo de ar
no difusor, de forma a liberar um bom volume de ar para agitar
a água, com bolhas grandes. Se for preciso abra um pouco
a outra saída do difusor, para reduzir o nível
de ruído da bomba aeradora e aliviar a pressão;
-
Espere por aproximadamente 15 minutos e meça
o pH e a temperatura da água. O pH deve estar na casa
de 8,0 e a temperatura entre 27 e 30 °C;
-
Quanto ao pH, se for preciso, adicione um pouco
mais de bicarbonato de sódio, espere outros 15 minutos
e faça nova medição de pH. Repita este
processo, até chegar aos níveis ideais. E quanto
a temperatura, introduza um ou dois aquecedor(es) submersível(is),
se for preciso elevar a temperatura da água;
-
Adicione os cistos de artêmias salinas;
-
Cubra a boca da "artemeira" com um
pedaço de meia-de-nylon feminina, com o elástico
de costura;
-
No período noturno, ascenda a luminária
para estimular e acelerar a eclosão dos cistos.
Coleta e Oferta:
-
48 horas após, desligue a bomba aeradora;
-
Desacople a mangueira do difusor, tampando sua
ponta com o dedo;
-
Abaixe a mangueira para um nível abaixo
da "artemeira". Tire o dedo da mangueira e despeje
a água salobra com os náuplios de artêmias,
num puçá de nylon 077 fios. Abaixo do puçá,
posicione uma vasilha capaz de absorver todo o líquido
que está na "artemeira". Esta água salobra
poderá ser reaproveitada, bem como os cistos que ainda
não eclodiram;
-
Observe que os náuplios de artêmias
salinas se concentram na parte afunilada do pet invertido da
"artemeira" (formato de "v") e na superfície
da água, estão os cistos que não eclodiram.
Deixe escoar boa parte da água... Quando estiver quase
acabando, interrompa tampando a mangueira com o dedo, para não
sugar os cistos que não eclodiram;
-
Acople a mangueira novamente numa das saídas
do difusor de ar;
-
Leve o puçá de nylon 075 fios
até uma torneira e deixe escoar água doce, bem
suavemente, para lavar os náuplios, tirando o sal. Faça
isto por 30/40 segundos, aproximadamente;
-
Agora chacoalhe o pucá de nylon 077 fios
num pote de água limpa, sem cloro;
-
Com uma seringa sugue os náuplios de
artêmias salinas e oferaça ao alevinos em quantidade
suficiente para que sejam consumidos rapidamente e de forma
pulverizada em vários pontos do aquário de crescimento/engorda.
Se você estiver usando um pote transparente, coloque uma
lanterna ligada em um dos lados e todos os náuplios seguirão
em direção a luz, facilitando sua coleta com a
seringa.

As artêmias salinas não sobrevivem muito tempo na
água doce (aproximandamente 3 horas), portanto peque pela
falta, mas jamais pelo excesso de alimentos no aquário dos
alevinos.
Peixes adultos também podem consumir os náuplios,
eles adoram caçar o que comem e é saudável
oferecer alimentos vivos a eles, além da ração
industrializada.
Se sobrar náuplios, você pode congelar, fazendo cubinhos
congelados de náuplios, que podem ser raspados com uma colher
e servidos aos peixes.
O ideal é você ajustar a quantidade de cistos a eclodir,
para ter sempre náuplios fresquinhos para dar aos alevinos.
Você pode reaproveitar a água salobra por 4 ou 5 vezes
(junto com os cistos que ainda não eclodiram). Depois disto,
comece com água nova e jogue fora os cistos que não
vingaram mesmo.
A cada reaproveitamento, adicione a sua porção padrão
de cistos para eclodir, que se juntarão aos cistos que não
eclodiram ainda.
Sugiro que mantenha 2 ou mais "artemeiras" eclodindo
náuplios, começando o processo em dias subseqüentes,
de forma a ter sempre náuplios de artêmias salinas
todos os dias, uma vez que podem demorar até 48 horas para
eclodir.
Em determinado momento eu eclodia muitos cistos de artêmias
salinas e optei por usar sal para uso agropecuário (não
mineralizado), pois acabava saindo bem mais barato comprar saco
de 25 kilos, do que usar sal-grosso de churrasco. Funcionou da mesma
forma, não observei alteração alguma no volume
de cistos eclodidos. Fica registrada aqui, a minha experimentação.
Se o seu volume justificar, é uma saída interessante.
Se você não está conseguindo eclodir cistos
de artêmias salinas, comece desconfiando dos cistos que podem
estar velhos, mofados ou serem de baixa qualidade.
Procure adquirí-los de fornecedores idôneos e mantê-los
em embalagens bem vedadas, em local seco.
Marcio Luiz de Araujo
mlaraujo60@bettabrasil.com.br
Aquarista hobbysta, apaixonado pela espécie
Betta splendens, desenvolve e mantém o website
Betta Brasil,
é owner do Grupo
de Discussões Betta Brasil.
Onde encontrar?:
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Cistos de artêmias salinas:
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Betta Brasil
- Loja Virtual
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Puçá de nylon 077 fios (pronto):
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Nylon 077 fios:
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Última
Atualização: 30.08.10 22:26
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