Eles aparecem naturalmente em barris de vinagre não pasteurizados,
alimentando-se de bactérias existentes no processo de fermentação,
e são excelentes para alimentar larvas de quase todas espécies de
peixes de aquário. Principalmente para larvas minúsculas
como de: Betta splendens, Colisa, Killifishs, etc.
Os vermes-do-vinagre são mais compridos que a artemias
recém-eclodidas (náuplios), mas têm um diâmetro menor
- os peixes conseguem comê-los antes de conseguirem comer náuplios
de artemias.
No aquário os vermes irão deslocar-se com qualquer corrente, mas
se não existir corrente, irão subir à superficie (uma grande vantagem
sobre os microvermes
que se concentram no fundo, onde acabam morrendo em poucas horas).
Como todo verme branco, são constituídos de maior quantidade de
lipídios (gordura), que tem função energética e para que nutricionalmente
funcionem bem, devem ser associados a alimentos vivos mais protéicos
como: daphnias,
moinas, alonas; e depois que as larvas crescerem mais, até com náuplios
de artemias franciscanas (estes mais ricos em proteína, mas
pobre em lipídios).
Os lipídios fornecem energia ao corpo, enquanto que as proteínas
fornecem aminoácidos importantes ao crescimento.
Também podem ser utilizados para estimular a eclosão de
peixes como os Killifishs, quando colocados na água, junto aos ovos
prestes a nascer. Ou mesmo em caixas com alevinos de bettas para
estimular o instinto de caça, que não resistem à frenética movimentação
deles.
A principal vantagem do verme-do-vinagre
em relação a outros usuais micro-organismos oferecidos
para alevinos atualmente (ex.: microvermes
e náuplios
de artemias salinas), é a sua capacidade de se manter
vivo fora do meio de cultura (vinagre de maça), por muito
mais tempo, dentro do aquário. Isto se não for devorado
de imediato. Apenas não se multiplica. Graças a isto,
não suja/contamina a água, caso você erre a
mão na quantidade oferecida, evitando as complicadas e necessárias
sifonagens e TPAs, para limpeza de fundo e água, tão
comuns e nada raras, quando se oferece microvermes
e náuplios
de artemias salinas, em quantidade exagerada.
Para cultivar dispensam cuidados resistindo por muito tempo caso
se esqueça da cultura, não precisando abrir para troca de ar nem
repor alimentos com freqüência.
Para cultivar você vai precisar:
1 inóculo de cultura.
750 ml de vinagre de maça (normalmente
uso da marca/fábrica Castelo).
1 maça vermelha mediana (fruta fresca).
250 ml de água descansada, isenta de
cloro e metais pesados.
1 vidro transparente de boca larga de aproximadamente
1,3 litros, com tampa.
1 pedaço de meia-de-nylon feminina, para
tampar a boca do vidro (evitar predadores).
1 pedaço de elástico de costura,
para fixar esta meia na boca do vidro.
1 puçá de nylon 180 ou 200 fios.
Iniciando a cultura:
Misture no vidro o vinagre de maça (750
ml) e a água (250 ml).
Corte a maça vermelha mediana em fatias
e coloque-as no meio de cultura que você acabou de preparar.
Abra o saquinho plástico que contém
o inóculo da cultura, dobre o plástico de forma
a deixar uma gola suficiente para permitir que o saquinho fique
boiando no meio de cultura.
Coloque o saquinho do inóculo boiando
no meio de cultura por 30 minutos. Tempo mais do que suficiente
para equalizar a temperatura do inóculo, com a temperatura
do meio de cultura.
Feita a equalização da temperatura
dos líquidos, vamos iniciar a equalização
do pH. A cada 30 minutos adicione um pouco do líquido
do meio de cultura no saquinho plástico que contém
o inóculo, até dobrar o seu volume.
Feche a boca do vidro com o pedaço de
meia-de-nylon feminina, com a ajuda de um pedaço de elástico
de costura.
Identifique a data de início da cultura,
para seu controle e acompanhamento.
Deixe a tampa do vidro repousando sobre a boca,
sem rosqueá-lo.
Coloque o vidro em local seco, recebendo pouca
luz (indireta) ou nenhuma, e que fique numa faixa de temperatura
entre 22 e 30 °C (faixa ideal).
O "pulo-do-gato" (segredo) está na equalização
da temperatura e pH. Não tenha pressa, seja paciente e serás
recompensado(a).
Em 15 (quinze) dias você terá uma colônia de
vermes-do-vinagre
exuberante. Coloque o vidro contra a luz e verás uma nuvem
de vermes agitando-se no meio de cultura, notadamente mais próximos
da superfície. Nem será preciso usar uma lupa para
observá-los.
Caso se deixe a população crescer bastante, aos poucos os vermes
começam a subir pelas bordas do recipiente (e as vezes também ocorrerão
paramécios e rotíferos), acima do nível do meio liquido, em meio
a uma colônia de leveduras que geralmente cresce em cima da cultura.
A colônia dura meses. Quando boa parte da maça se
desmanchar, adicione outros pedaços em substituição.
Se for preciso repor o meio de cultura, mantenha a proporção
de 2/3 de vinagre de maça e 1/3 de água.
Como coletar e oferecer às larvas de Bettas:
Passe o puçá
de nylon 180 fios no meio de cultura, próximo a superfície,
onde existirão milhões de vermes esperando ansiosamente
por serem coletados.
Deixe escorrer o líquido todo. Apenas
os vermes maiores serão capturados pelo puçá
de nylon 180 fios.
Lave os vermes em água corrente, bem
suavemente (com a chamada "água mole"), por
aproximadamente 40 segundos.
Vire o puçá do avesso e chacoalhe-o
em um pote com água limpa, descansada e isenta de cloro,
para desprender os vermes nesta água.
Em nosso caso, como usamos um puçá de aro fixo,
viramos o mesmo, deixando seu fundo para cima (o elemento filtrante)
e jogamos água limpa, descansada e isenta de cloro, de
forma a derrubar os vermes no pote.
Com a ajuda de uma pipeta,
seringa ou conta-gotas, sugue porções de água
com vermes e pulverize em vários pontos do aquário
de cria.
Replicando sua cultura:
É conveniente e seguro replicar sua cultura em 2 ou 3 potes,
no mínimo. Assim, se lago der errado, você terá
outra(s) cultura(s) para se socorrer, sem que seus alevinos sejam
prejudicados.
Outro motivo é se você tem um plantel grande e precisa
fazer muitas coletas diárias. É preciso dar um tempo
para a cultura se recompor, após as coletas.
Tendo várias culturas, opte por coletar alternativamente
em potes diferentes, a cada coleta. Assim você garantirá
que todas as culturas se mantenham abundantes, por muuuuuuito tempo.
Se você perceber declínio em sua cultura, prepare
imediatamente um novo meio de cultura e replique a colônia,
para garantir que não haja interrupção na alimentação
dos alevinos.
Para replicar a cultura, siga o procedimento descrito no tópico
"Iniciando a cultura",
se valendo de inóculo de qualquer uma de suas outras culturas.