Tipos de caudais nos Bettas
A maneira de como se avaliar um betta quanto ao tipo de caudal,
ainda gera confusão entre os novatos no trato com esse fabuloso
peixe, e mesmo entre muitos daqueles que já tem um maior contato
com ele.
Claro que todos nós desejamos um betta maravilhoso, bem constituído,
com presença.
- E para que se possa obtê-lo, deverão ser observados vários pontos:
- a cor (ou cores);
- a distribuição e o arranjo das mesmas (se é sólido, bicolor,
se é marmorizado etc);
- os tipos de caudal, de dorsal, de anal, as peitorais e as pélvicas;
- se é um plakat (PK - nadadeiras curtas) ou se é um long fin
(nadadeiras longas);
- se tem temperamento (se é ativo ou se é apático);
- se tem um bom porte e
- se apresenta um equilíbrio harmonioso na relação corpo/nadadeiras.
E para aqueles que, como nós, também, se interessam pela qualidade
genética daquilo que se está adquirindo, deverão ser levadas em
conta, ainda, a linhagem e a ascendência (e, essas, infelizmente,
dependem da honestidade de quem fornece a matriz).
Perguntas do tipo: "Esse betta é half moon ou é crown tail? Mas,
se é crown tail, ele pode ser half moon?", "Existe double tail crown
tail?", ainda acontecem e são geradoras de discussões vazias e que
não levam a nada.
Vemos em muitos sites e e-mails, siglas como PKHM, OHM, DT, SDCT
etc, etc, que causam confusão entre aqueles que não estão familiarizados
com as mesmas.
Este artigo pretende explicar uma maneira pela qual se poderá entender
o que essas "sopinhas de letras" significam, bem como, buscar um
aprofundamento nos diversos tipos de caudais.
Assim sendo, dividimos, somente para fins didáticos, a abordagem
dessa análise, em tópicos, conforme mostrado a seguir:
- Estrutura das caudais
- Abertura das caudais
- Formato das caudais
- Bordas das caudais
No primeiro tópico ("Estruturas das caudais") vamos abordar o que
venha a ser 2R, 4R, 8R. etc.
De
maneira geral, qualquer caudal é composta por raios que partem do
pedúnculo caudal e se prolongam, através de ramificações, até a
borda, permitindo que o pano da mesma se desenvolva ocupando os
espaços entre esses raios.
Quando dizemos que um betta é 2R significa que o número de terminações
na borda da caudal é de 2 em 2.
Veja a figura explicativa abaixo: 
Quando esse número de terminações acontece de 4 em 4, dizemos
que esse betta é um 4 R.

E assim, sucessivamente.
É muito difícil - ou mesmo impossível - se afirmar a "olho nu"
se determinado betta possui ramificação superior a 8 R (16, 32 ou,
alguns afirmam existir tal conjunto, com 64 raios), pois essa se
apresenta extremamente fina e junta.
Abaixo, um belo exemplo de uma caudal com 8R.

Veja a quantidade de terminações por conjunto de ramificações.
Visto isto, vamos passar ao segundo tópico ("Aberturas das caudais").
Grosso modo - e sem cometer erro conceitual algum -, encontramos
os tipos:
Veil tail (VT) ou caudal em véu - é o betta tradicional,
aqueles que, em sua grande maioria, ainda são encontrados nas lojas.

Não apresentam simetria, e alguns até lembram um rabo-de-cavalo,
com o desenho da caudal tendendo para baixo.
Esses foram os primeiros long fin - caudal longa - que se tem notícia.
Round tail (ou fan tail) ou caudal redonda
- também encontrado nas lojas, porém, foram os primeiros bettas
a apresentarem uma certa simetria.

Os raios externos da caudal - os mais próximos da dorsal e da anal
- são encurvados.
O termo fan tail foi sugerido por causa da lembrança das pás arredondadas
de um ventilador (fan - ventilador, em inglês).
Delta tail (DT) ou caudal em delta - já encontrado
em algumas lojas.

Os raios externos da caudal são mais retificados e o ângulo de
abertura da "tesoura" formada por esses raios deve ser maior que
75° e inferior a 180°. Quando a abertura é próxima de 180° (150°,170°,
179° etc), teremos os super deltas (SD).
Half moon (HM) ou meia lua - é um SD que possui abertura
igual (ou superior) a 180°.

Em um bom HM, os raios externos são retos, do pedúnculo caudal
até a borda da caudal, idênticos a um leque (são os maiores em extensão,
da caudal).
Já nos maus HM, as pontas dos raios externos se apresentam meio
arredondadas.
Os HM com abertura superior a 180°, os chamados OHMs (over
HM), são os mais desejados na atualidade.
Conforme já comentado anteriormente, há, também, bom e mau OHM.

Devido à alta abertura, alguns desses raios externos apresentam
uma curvatura invertida (em direção à anal e à dorsal), de tal forma
que os raios externos da caudal se projetam para frente. (veja a
figura acima). É uma coisa muito bonita de se ver!
Então, como um primeiro resumo, temos:
- Estruturas das caudais: 2R, 4R, 8R, 16R ...
- Aberturas das caudais: VT, caudal redonda, caudal em delta,
SD, HM e OHM.
Vamos estudar agora o terceiro tópico ("Formatos das caudais")
Nesse tópico encontramos dois tipos: os bettas com caudais com
um único lóbulo e aqueles com dois lóbulos.


Então, como um segundo resumo, temos:
- Estruturas das caudais: 2R, 4R, 8R, 16R ...
- Aberturas das caudais: VT, caudal redonda, caudal em delta,
SD, HM e OHM.
- Formatos das caudais: ST e DT.
Vamos estudar agora o quarto tópico ("Bordas das caudais")
Neste tópico podemos considerar três grandes grupos:
Borda Lisa, Borda Denteada e Borda em Forma de Coroa (Crown Tail).



Observe os tipos de borda denteada e o CT (em formato de coroa
- crown, em inglês): em uma primeira aproximação, poderíamos considerá-los
"farinhas do mesmo saco".
Porém, quando observamos a estrutura dos CT, vemos que o pano das
nadadeiras caudal, dorsal, anal e das peitorais, apresenta uma relação
aproximada de um para um, entre a presença do pano e o tamanho dos
raios expostos com quase nenhum pano - os chamados espigões -, enquanto
que, naqueles bettas com borda denteada, tal relação não se verifica
(relações de proporção bem maiores que um - por exemplo, três para
um, dez para um etc).
O enquadramento de um betta como CT, em alguns casos, pode suscitar
dúvidas entre os criadores, pois, da mesma forma que os HM e OHM,
há os bons e maus CT.
Outra coisa que os CT apresentam são os diversos tipos de espigões:
há os que apresentam espigões aos pares - veja o da foto -, de três
em três, aqueles que apresentam os espigões retos, aqueles que apresentam
os mesmos tortos, porém, de forma harmônica.
Alguns chamam os bettas que apresentam a borda denteada - lembrando
em formato à apresentada acima, mas, também, podendo ser como pequeninas
pontas, bem fininhas, muitas das vezes, transparentes, até - de
comb tail (caudal em forma de pente - comb, em inglês).
Outro tipo de caudal muito apreciada é aquela que apresenta dobras
sobre dobras em toda sua volta, devido ao aumento da área do pano
caudal (por causa da alta ramificação - independentes do tipo de
borda que possuam).
É conhecida como rose tail (ou caudal em forma de rosa -
lembrando as diversas dobras das pétalas no botão).

Esse tipo de borda, em casos extremos, começa a apresentar umas
reentrâncias largas e bem marcadas que lembram penas de ave.
São os chamados feather tail (FT) - (ou caudal em formato
de pena - feather, em inglês).

Esse tipo de borda é muito controverso entre os criadores - uns
são apaixonados por ele, enquanto que outros, não o aceitam, e querem
evita-lo a qualquer custo -, pois, na maioria das vezes, ocorre
nos bettas HM - ou mesmo em OHM - onde se deu ênfase na linhagem,
aos reprodutores com maiores ramificações, o que leva a surgir,
em casos extremos, horrorosas deformações e, mesmo, um efeito inverso
e, claro, não desejado nos long fin, que é o encurtamento no comprimento
da caudal.
Quando essas reentrâncias são suaves e bem marcadas, trazem uma
harmonia exótica ao betta e, particularmente, gostamos deste tipo
de borda.
Como muitos dos feather tail mais suaves apresentam, também, excesso
de pano na caudal, às vezes, torna-se um tanto polêmico o enquadramento
de tal betta como rose tail ou feather tail, independente de esse
ser HM ou OHM.
Nesses casos, enquadra-lo como rose tail não será nenhum absurdo.
Então, como resumo final, temos:
- Estruturas das caudais: 2R, 4R, 8R, 16R ...
- Aberturas das caudais: VT, caudal redonda, caudal em delta,
SD, HM e OHM.
- Formatos das caudais: ST e DT.
- Bordas das caudais: lisa, denteada, CT, FT
Dessa forma, podemos trabalhar, de forma independente, as aberturas,
os formatos e as bordas das caudais, lembrando que, dependendo do
tipo de abertura, esta ficará amarrada a um determinado tipo de
estrutura. Vamos explicar melhor:
Todos os VT (caudal em véu) com os quais lidei nesses anos todos
só apresentaram estruturas com 2R.
Portanto, podemos afirmar que nunca teremos um VTFT (veil tail
feather tail), pois as estruturas de ambos os tipos são incompatíveis,
já que VT é 2R e FT, se ocorrer, será acima de 8R.
As formas em delta, SD e HM estão mais ligadas à capacidade do
betta de exibir a abertura da tesoura formada pelos raios externos
da caudal, do que com as quantidades de raios das mesmas.
E dando ênfase a essa afirmação, há criador que nos informou já
ter tido em seu plantel bettas HM com 2 R e OHM com 4R (ambos os
tipos ocorrendo em plakats).
Em princípio, quase todos os plakats desenvolvidos em cativeiro
são HM - mas do tipo com as pontas dos raios externos curvados e
não retas e pontiagudas como um perfeito leque.
Essa facilidade de ocorrência se deve ao pequeno tamanho da caudal
(no caso dos PK), que requer uma estrutura de enervação para sustentação
da abertura, menos exigente (2R), quando comparada àquela necessária
para o mesmo resultado nos long fin (4R, 8R etc).
Como conseqüência, podemos fazer um gráfico com três dimensões,
onde em cada um dos eixos teremos uma variável, respectivamente,
formato, abertura e borda, que comportará todos as possíveis combinações
de caudais, passíveis de serem encontradas nos bettas (até o presente
momento), sejam eles, plakats ou long fin.
Salvaguardando-se o que foi falado anteriormente, acerca das relações
intrínsecas entre as estruturas das caudais e determinados tipos
de abertura, poderemos ter qualquer combinação desses três fatores
para formar um fenótipo final de caudal:
Alguns exemplos:
VTDTCT, HMCTST (ou, simplesmente, HMCT) - também, chamado de half
sun (devido aos espigões lembrando os raios de um meio sol, parodiando
os half moon com borda lisa) -, HMDT - os chamados full moon (lua
cheia) etc.
Esperamos que esse artigo tenha trazido um pouco de luz sobre o
tema e, para qualquer dúvida - que, esperamos, surja - , favor enviá-la
para vitorchevitarese@gmail.com.
Vitor Calil Chevitarese
vitorchevitarese@gmail.com
Aquarista hobbysta desde 1963, apaixonado pelo Betta
e sua genética, com ênfase na disseminação da idéia de preservar, manter e aprimorar
as linhagens existentes. Consultor do CEA - Centro de Estudos para Aquariofilia,
para assuntos ligados aos Bettas splendens e membro da AQUORIO.
Referências fotográficas:
- Gentilmente cedida por Wilson
Vianna
- Gentilmente cedida por Luiz
Roberto Correia Lima Rosa
- Ggentilmente cedida por André
Bettas
- Gentilmente cedida por Rodrigo
Guzzo
Publicação autorizada: 25/04/2010
Última
Atualização: 22.07.10 13:08
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