Busca constante do Betta
totalmente negro
Eu mexo com Bettas desde 1965 e com melanos desde
a década de 80.
Nesse tempo todo só consegui UMA fêmea DT totalmente negra e fosca
- igual a molinésia. Todos os demais, inclusive irmãos e irmãs dela
possuiam algumas escamas iridescentes.
No início, só utilizava steel blue fosco (azul aço), mas
muito melanísitcos (ou seja, muito escuros) e as ninhadas SEMPRE
apresentavam alguma iridescência.
Para mim, que sou purista - alguns amigos até me acham demais rigoroso
no conceito de melano -, só considero um Betta melano
se, e somente se, ele for totalmente negro, sem qualquer outra cor,
risco ou iridescência!
Inclusive, é essa a definição do IBC sobre os melanos: Betta
de cor sólida - ou seja, uma única cor e de mesma tonalidade, tanto
no corpo, quanto nas nadadeiras - e sem iridescência.
Nesses anos todos, até hoje, só vi essa minha fêmea DT... - coisa
fantástica!!!
Vou reproduzir um trecho do artigo: "Os
anjos negros do mundo dos Bettas", do Gene Lucas:
"Uma palavra ou duas a respeito dos
“maus” Bettas pretos – e a maioria é mais má do que boa.
Eu penso que não observamos nossos pedigrees e nossos resultados
dos cruzamentos.
Existe alguma variação em como os pretos
de uma ninhada serão, assumindo que todos são geneticamente semelhantes.
Alguns serão bem mais escuros e outros
mais claros.
Os mais claros podem ser aquela cor
de argila, ou cinza ou marrons.
Cruzando com vermelhos, por exemplo,
será introduzido o amarelo na linhagem. O que reduz o preto significativamente.
Um preto amarelado não soa tão promissor!
Camboja, que também afeta o preto, poderia
ser introduzido pelo cruzamento com amarelos. Não há problema,
mas estas variações ocorrerão e deverão ser excluídas dos estoques
ao longo do tempo."
Essa tradução foi feita por mim, há anos. E tenho observado
ao longo desse tempo que, onde tem marrom, tem vermelho - isso é
quase certo. E eles (os "pretos amarronados", ou mesmo os "marrons
café"), são os primeiros a apresentarem os mármores.
É como se a natureza não deixasse que indivíduos com tal grau de
melanina pudessem continuar a perpetuar tal "anomalia"!
Aqui cabe um adendo: como só mexi com melanos com um altíssimo
grau de cossanguinidade ao longo desses muitos anos - seja com inbreeding,
line breeding, crossbreeding, e pouquíssimo (ou nenhum)
outcross, por falta de outros criadores com outras linhas
de sangue -, os resultados foram muito desanimadores para a obtenção
do melano como acho que deve ser. Daí, talvez, o meu conceito de
"anomalia" se deva aos altíssimos graus de deformidades, tamanhos
reduzidos e muita instabilidade genética - os genes chamados "egoístas"
não perdoam - que sempre aparecem nesses casos (isso vale para qualquer
cor, arranjo de cores, quando tais condições de trabalho - muita
cossanguinidade - se apresenta).
Rapidamente, descambam para os mármores rosados e marrons. É como
se fosse uma válvula de escape!
E quando surge o mármore na ninhada, eu imediatamente abandono
aquela vertente, pois, já sei que não se consegue mais nada de bom
dali - me refiro aos melanos.
O problema do melano é que - estou chegando a essa conclusão -
não se pode tratá-lo da mesma forma que as demais linhagens
(vermelhos, azuis, amarelos, etc.), pois ele é extremamente recessivo,
exótico, muito instável e de difícil manutenção.
Ele é considerado a mais difícil "linhagem" que existe! Entenda-se
aqui: difícil de se conseguir, de se estabilizar e de se manter.
Se houvessem vários criadores caminhando por linhagens separadas,
porém, com o mesmo conceito de resultado do que é "bom" (na falta
de outro paradigma, valeria o padrão utópico do IBC para melano),
e do que é "mau" (Bettas infiltrados com outras cores,
marrons, pretos desbotados, prateados etc,etc), poderia, com um
rigoroso controle estatístico do que resultam as ninhadas, evitando-se,
ao máximo, inbreeding sucessivos - em princípio, ir até F3
e abrir novamente a linhagem (ou outcrossing - daí a necessidade
de vários criadores trocando machos entre si) - se fazer um trabalho
do tipo "enxugar gêlo no sol". [Sugestão
de leitura: "Esgotamento genético" na criação
de Bettas splendens]
O agravante das fêmeas melanísticas - e já tive muitas delas comigo
- não serem férteis obriga que se utilize irmãs delas de outras
cores - steel, royal, multicoloridas (vermelhas) -
essas, sim férteis, porém, somente portadoras do gene.
Mas, nesses casos, voltamos a reforçar as impurezas (do ponto de
vista de outras cores) na linhagem.
Eu hoje entendo isso quase que como um último esforço da natureza
para que o melano não aconteça e, se acontecer, que não se propague.
Há mais ou menos uns oito anos voltei a minha atenção para os Black
Copper (BC).
Em um trabalho com o Wilson Vianna - há tempos atrás - obtivemos
Black Copper (BC) de uma qualidade excelente, surgindo alguns
prateados com nadadeiras negras (o Vianna os chamou de "Silver
Black"). Eles se mantiveram estáveis e maravilhosos em tamanho
e qualidade de porte (HM e oHM, pedúnculos caudais fortes, bom temperamento
etc, etc).
Já apareceram fêmeas prateadas com as nadadeiras negras comprovadamente
estéreis.
Mas a obtenção de melanos (padrão do IBC) está muito longe de acontecer.
Vitor Calil Chevitarese
vitorchevitarese@gmail.com
Aquarista hobbysta desde 1963, apaixonado pelo Betta
e sua genética, com ênfase na disseminação da idéia de preservar, manter e aprimorar
as linhagens existentes. Consultor do CEA - Centro de Estudos para Aquariofilia,
para assuntos ligados aos Bettas splendens e membro da AQUORIO.
Publicação autorizada: 02/06/2010
Última
Atualização: 22.07.10 13:09
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