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Básico da genética dos
Bettas
Parte 1
Para começar, vamos tentar explicar, o que são Bettas:
"metálicos", "não metálicos", iridescentes, não iridescentes,
homozigóticos e heterozigóticos.
O temo metálico está associado ao Betta híbrido
(cruzamento do Betta splendens com o Betta
imbellis ou do Betta splendens com o Betta
smaragdina), e o não metálico, está associado àqueles
Bettas frutos do cruzamento de Betta splendens
com Betta splendens (aqueles Bettas
antigos) - veja o complemento
que escrevi sobre essa afirmativa no final do texto desse texto.
Dessa forma, mesmo que um Betta não possua nenhum
brilho, mas, se ele for resultante de um cruzamento híbrido, ele
será considerado um Betta metálico, porém, nesse
caso - de ele não possuir brilho algum -, será considerado não
iridescente.
Assim, um Betta metálico não iridescente é um Betta
"hibrido" sem qualquer brilho.
Se ele possuir brilho, ele será um Betta metálico
iridescente.
O problema é que, atualmente, somente olhando-se um Betta
- p.ex., um amarelo - tecnicamente não se poderá afirmar que ele
é um Betta splendens puro ou se ele é metálico,
pois, se ele tiver em sua genética algum Betta híbrido
(metálico) - mesmo que distante -, a rigor, ele deverá ser considerado
um Betta metálico!
Esse problema da hibridização me lembra muito o problema da pureza
do gado holandês, que pode ser considerado puro por origem (P.O).
ou puro por cruzamento (P.C).
-
P.O. - por origem (ele será 100% sangue puro).
É aquele novilho em que todos os ascendentes são holandeses.
-
P.C. - por cruzamento; ele irá sempre se aproximando
dos 100% infinitamente, porém, nesse tipo de caso, poderá, em
determinado nascimento, surgir um novilho que não apresente
as características totais exigidas para caracterizá-lo como
um legítimo exemplar de gado holandês (devido ao processo atávico
- as características de um antepassado remoto, não holandês,
poderá volta a aparecer). Claro que isso, com o passar do tempo,
e cruzamentos direcionados, tenderá a diminuir e, até, a não
ocorrer mais.
O mesmo processo ocorrerá com os Bettas obtidos
por criadores que lançaram mão dos Bettas híbridos
em suas linhagens originais de Bettas splendens,
e que, depois de capturar aquele detalhe desejado que só os híbridos
possuem, p.ex., um iridóforo maior, desejem retomar ao seu trabalho
na linhagem original.
Primeiro conceito: desvincular o termo "metálico" de algo
"com brilho". Metálico é sinônimo de Betta "híbrido",
e não metálico é sinônimo de Betta splendens puro.
Observação:
o termo Betta splendens "puro" aqui empregado, se
refere ao Betta que possua somente antepassados
Bettas splendens em sua árvore genealógica, e nada
tem a ver com as cores dos mesmos.
Assim, se você cruzar um Betta splendens azul com
um Betta splendens vermelho - e se ambos possuem
somente antepassados Betta splendens -, você obterá
um monte de Bettas splendens puros multicoloridos
que, do ponto de vista de cor será uma tragédia, porém, do ponto
de vista de se enquadrar os mesmos em um determinado grupo taxonômico
(ou subgrupo, sei lá), não teremos dúvidas nesse enquadramento:
são Betta splendens.
Segundo conceito: iridescente indica possuir brilho; não
iridescente indica não possuir brilho.
Os primeiros Bettas metálicos (vindos do cruzamento
com o Betta imbellis) possuíam brilho, com uma iridescência
cobreada/verde jade (cor de creme de abacate) muito forte.
Na hibridização do Betta splendens com o Betta
smaragdina, surgiram os Bettas metálicos
com tons de azuis e verdes diferentes daqueles que ocorriam nas
linhagens de Bettas splendens puros.
Esses híbridos possuíam, realmente, um maior brilho, devido ao
aumento dos iridóforos presentes nas escamas, que são maiores
do que aqueles oriundos dos Bettas splendens puros.
Em ambos os casos - utilizando os Bettas imbellis
e os Bettas smaragdinas -, como esses primeiros
híbridos eram fortemente brilhantes, reforçou-se o falso conceito
- dentro da comunidade de criadores - de que todo Betta
metálico obrigatoriamente seria brilhante.
Outro ponto: o conceito de homozigótico e de heterozigótico.
Ele está preso ao pensamento teórico de os genes pertencentes
a um mesmo par (alelo) serem iguais ou diferentes, respectivamente.
Vamos supor que haja dois genes "a" e "b", e que possam ser pareados
em um mesmo alelo.
Assim, poderemos ter: aa, ab (ou ba), bb.
Os Bettas que tiverem os pares "aa" e "bb" serão
considerados homozigóticos para cada um desses traços, ou seja,
só poderão transmitir aquilo ("a" ou "b", respectivamente). Os
Bettas que tiverem o par "ab" (ou "ba") serão considerados
heterozigóticos para esses traços, ou seja, poderão transmitir
ambos os traços ("a" ou "b").
Assim, para exemplificar, ao dizermos: "Bettas
copper são considerados azuis aços metálicos homozigóticos", queremos
dizer que:
-
são Bettas híbridos - devido
serem frutos de hibridização (no caso, com o Betta imbellis);
Obs: para se entender o restante da explicação haverá a necessidade
de se dar uma olhada no trabalho " definição
de cores e genética" que traduzi/adaptei.
- são Bettas azuis aços - blbl - logo homozigóticos,
portanto, possuem iridescência (que poderá ser forte - ou não
- dependendo da atuação de outros fatores genéticos, como, p.ex.,
a presença do fator opaco, que dará uma aparência empoeirada no
peixe).
Para complementar, na verdade, os Bettas copper
são representados pelo par bl+ bl+, para diferenciar da nomenclatura
"blbl" - que é utilizado para o azul aço não metálico (o sinal
"+" , além de diferenciar, serve para indicar que o Betta
é híbrido).
Por último - mas, não menos
importante -, nem os antigos "Bettas splendens long
fin puros" são puros, pois, os Bettas long tail
são frutos de um cruzamento entre os primitivos plakats selvagens
(esses, sim, Betta splendens puros) com um outro
peixe nativo - não se tem certeza de qual foi utilizado -, que
tinha as nadadeiras um pouquinho mais alongada.
Os tailandeses chamam os Bettas long fin de Pla
Chin (ou Plakat Chinês), já que foram os chineses que realizaram
tal processo - que, até hoje, garante o pesquisador Precha Jintasaerewonge,
que produziu um brilhante trabalho (que traduzi/adaptei), não
sabe dizer ao certo qual peixe eles utilizaram para conseguir
os long fins - sobre a história do Plakat tailandês (Parte
1 e Parte
2).
Vitor Calil Chevitarese
vitorchevitarese@gmail.com
Aquarista hobbysta desde 1963, apaixonado pelo Betta
e sua genética, com ênfase na disseminação da idéia de preservar, manter e aprimorar
as linhagens existentes. Consultor do CEA - Centro de Estudos para Aquariofilia,
para assuntos ligados aos Bettas splendens e membro da AQUORIO.
Publicação autorizada: 10/06/2010
Última
Atualização: 22.07.10 13:09
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