|
Descarte técnico de peixes ornamentais
Na criação de Betta splendens, em função
do tamanho das ninhadas, estrutura da estufa (espaço), disponibilidade
de tempo para cuidar dos animais, possibilidade de investimento
financeiro no manejo dos peixes (equipamento, ração,
alimentos vivos, saúde animal, etc), o descarte técnico
é uma fonte de preocupação constante para criadores
hobbystas.
Em média, cada ninhada da espécie gera de 300 a 400
larvas e dependendo do manejo do criador, a grande maioria delas,
é capaz de chegar até a idade adulta. Para quem desenvolve
trabalho genético, dificilmente aproveita-se mais que 10
indivíduos desta ninhada, entre machos e fêmeas, que
possuam determinadas características específicas,
buscadas e desejadas pelo criador, para dar continuidade ao trabalho
genético, salvo raras exceções. Servir de matriz,
para novos acasalamentos.
O restante é considerado descarte técnico, pelo desenvolvedor
da linhagem. A grande maioria dos peixes considerados descartáveis,
é composta de peixes lindos, fisicamente perfeitos, saudáveis
e de grande potencial genético. Apenas não estão
entre o seleto grupo de peixes que se destacaram na ninhada, para
determinadas características.
Então, que fim dar a estes peixes? Como viabilizar a pesquisa
e trabalho genético e ao mesmo tempo dar fim adequado, nobre
e responsável para o que resta da ninhada?
Eis algumas sugestões factíveis:
- O caminho natural e imediato, que a maioria de nós já
empregou, foi a distribuição destes peixes para
parentes e amigos, para pessoas que se simpatizam com a criação
de peixes, em especial por Betta splendens, e desejam
ter um mascote em casa, ou no local de trabalho. É óbvio
que este universo de pessoas é limitado e também
que estas pessoas estão dispostas a absorver apenas um
pequeno grupo destes peixes. Você precisa respeitar e entender
suas limitações.
- Saiba que clínicas médicas/hospitais podem ser
um bom caminho para dar fim nobre aos peixes. Procure terapeutas
ocupacionais de sua cidade, peça orientações
de como e onde fazer estas doações. Pessoas emocionalmente
carentes, fisicamente debilitadas, se renovam, se estimulam muito
com a companhia de mascotes. Você resolve seu problema e
faz muita gente feliz.
- Escolas também podem ser um bom canal de distribuição
dos peixes, principalmente se houver interação com
a direção e professores, de forma a transformar
o recebimento dos peixes, em tema educacional (ciências,
matemática, geografia, história, português,
etc). As possibilidades de se trabalhar em torno deste tema, são
praticamente infinitas.
- Existe o caminho da venda, para lojistas e diretamente aos consumidores
finais (feiras, shows, internet, etc). Para tal é preciso
se adaptar à legislação vigente, ser capaz
de emitir nota fiscal de venda (constituir uma pessoa jurídica
- vide possibilidade de se tornar um empreendedor
individual), obter laudo de sanidade animal com um médico
veterinário local e guia de transporte animal (GTA).
De forma drástica, e em último caso, no meu entender,
sacrifique os animais:
- Colocando-os na cadeia alimentar de carnívoros maiores
confinados em aquários [O Oscar, também chamado
de Apaiari (Astronotus ocellattus), por exemplo];
- Colocando-os em recipientes com água e levando-os ao
congelador. O frio fará com que a temperatura corporal
dos animais caia, fazendo com que eles fiquem anestesiados, e
acabem morrendo da forma menos traumática para eles;
- Se preferir, pode pedir que um médico veterinário
faça isto por você, usando métodos que estejam
de acordo com a resolução
número 714, de 20 de junho de 2002, do Conselho Federal
de Medicina Veterinária.
Você NÃO deve soltar seus peixes diretamente em ambientes
naturais ou artificiais (rios, córregos, lagoas, represas,
açudes, canais, etc). NUNCA libere seus peixes vivos pela
descarga sanitária de casa. Agindo assim, você estará
cometendo um crime ambiental, previsto na lei brasileira (Lei
9605 de 1998). Lembre-se, você cria uma espécie
exótica (Betta splendens) e não deve
introduzí-la na natureza, desestabilizando as espécies
nativas, de forma irresponsável.
Última revisão: 11/10/2011
Fontes:
- CORTIZO, Bernardo. Descarte de peixes ornamentais interfere
no meio ambiente. Universidade Federal de Pernambuco.
- MAGALHÃES, André Lincoln Barroso de. Introdução
de espécies exóticas por aquariofilia. Centro
Universitário UNA, Programa de Pós-Graduação
em Ecologia, Conservação e Manejo de Vida Silvestre/UFMG.
- MAGALHÃES, André Lincoln Barroso e BARBOS, Newton
Pimentel de Ulhôa. Peixes de aquário: animais
de estimação ou pestes? Ecosíndico.
Última
Atualização: 11.10.11 15:48
|