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Bettas metálicos - Estudo de caso

 
Este estudo de caso baseou-se em fotos de um exemplar de Bettas splendens, nascido na estufa do criador hobbysta Luiz Antonio Telles de Miranda Filho, enviadas para o Grupo de Discussões Betta Brasil

Claro está que, para a maioria das opiniões tecidas, sempre caberá uma discussão, opiniões e pensamentos contrários - o que é sempre motivador de aprofundamentos de análises e, até, motivador de uma mudança de condução de linha de raciocínio, ou mesmo, de ponto de vista filosófico - e, desde já, me coloco à disposição para abrirmos um diálogo que, no mínimo, será muito salutar a todos.

Azul Royal Metálico Heterozigótico PK HM Macho

Minhas considerações:

Esse PK é um azul royal metálico heterozigótico, ou seja, Bl bl + nm, onde o "+" significa ter o traço copper (metálico), e o "nm", significa ter o traço "não metálico" (aquele dos bettas antigos, antes da hibridização).

Observação: o termo "antigo" aqui colocado, só se refere à cor daqueles azuis royais escurões, que comprávamos nas pet shop, e nada tem a ver com formato de corpo, de caudal, de isso, de aquilo; diz respeito somente ao quesito cor.


Como cheguei à essa conclusão?

  1. existem (poucas) escamas azuis celestes no corpo e na totalidade do pedúnculo caudal, escamas estas que são características dos Bettas azuis metálicos homozigóticos chamados teal. Abaixo mostramos alguns exemplos de teal:

    Teal

    Teal

  2. há a presença (leve) do fator copper nas nadadeiras (me refiro àquele rosado marrom avermelhado claro).

    Este fator copper nas nadadeiras, pode ser visto de maneira intensa nesta foto abaixo (black copper):

    Black copper

    Na segunda foto do nosso estudo de caso, esta característica pode ser observada sutilmente, na parte da caudal e na parte inferior da anal, confirmando a tese de que, realmente, se trata de um Betta metálico heterozigótico.

Para se poder saber o que se poderá obter com esse magnífico PK, temos duas sugestões:

  1. cruzar com uma fêmea teal (azul royal metálica homozigótica - Bl bl ++); ou

  2. com uma fêmea copper (azul aço metálica homozigótica - bl bl ++).

Antes de montarmos o Quadro de Punnett, mostrando o que se poderia obter (teoricamente), vamos tecer um explicação adicional.

Temos os traços "Bl", "bl", "+" e "nm" (do macho). Dessa forma poderíamos obter as seguintes combinações duas a duas: Bl +, Bl nm, bl + e bl nm. A combinação dos traços + e nm é desprovida de sentido.

Em outras palavras: podemos ter os conjuntos azul dominate metálico (Bl +), azul dominante não metálico (Bl nm), azul recessivo metálico (bl +) e azul recessivo não metálico (bl nm). Não tem sentido a junção direta metálico não metálico (+ nm).

Assim, poderemos ter:

macho
fêmea azul teal
Bl + bl +
fêmea copper
bl + bl +
  Bl +
    BlBl++  Blbl++
     Blbl++  Blbl++
  Bl nm
    BlBl+nm Blbl+nm
     Blbl+nm Blbl+nm
  bl +
    Blbl++  blbl++
     blbl++  blbl++
  bl nm
    Blbl+nm blbl+nm
     blbl+nm blbl+nm
  • Bl Bl ++ verde metálico (vide exemplos abaixo)

    Verde metálico

    Verde metálico

  • Bl bl ++ azul teal (aquele azul celeste)
  • bl bl ++ copper
  • E azuis metálicos heterozigóticos aos montes Blbl + nm, BlBl + nm e blbl +nm.

Esses metálicos heterozigóticos são de difícil enquadramento, pois, como esse seu da foto, podem apresentar tons intermediários (ou mesmo pedaços com uma tonalidade e outros, com outras), escamas com outro tom metálico, ou o corpo de uma tonalidade metálica e as nadadeiras com outros tons etc - uma bagunça! (Vide fotos sobre Bettas metálicos heterozigóticos no site Betta Territory: Entendendo a genética dos metálicos).

O bom mesmo é se batalhar para se ter homozigóticos (do ponto de vista da presença - ou não - do fator metálico), pois estes são extremamente lindos (e, realmente, exóticos).

Não podemos nos esquecer que o tratamento do estudo dessa genética é baseado em um modelo sugerido pelo Joep (Betta Territory).

Como achei coerência na nomenclatura sugerida por ele ("+" e "nm" agregados aos símbolos já consagrados Bl e bl), aproveitei a mesma para sugerir uma abordagem na previsão dos resultados desses futuros acasalamentos.




Vitor Calil Chevitarese
vitorchevitarese@gmail.com
Aquarista hobbysta desde 1963, apaixonado pelo Betta e sua genética, com ênfase na disseminação da idéia de preservar, manter e aprimorar as linhagens existentes. Consultor do CEA - Centro de Estudos para Aquariofilia, para assuntos ligados aos Bettas splendens e membro da AQUORIO.




*

Não sei ao certo a origem da foto. Por favor, se souber, me informe (vitorchevitarese@gmail.com), para atribuição do devido e merecido crédito ao autor da fotografia. Desde já, agradeço pela informação.



Publicação autorizada: 06/07/2010

Última Atualização: 22.07.10 13:10

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