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A origem do Betta laranja
Uma
olhada no site Aquabid revela o atual entusiasmo pelos Bettas
laranjas. Bettas HM de laranja intenso, de corpo preto,
bicolores de nadadeiras laranjas e outras variedades.
O laranja não é uma cor convencional em Bettas. Eu
não conheço qualquer menção sobre ela. Além disso, Bettas
do tipo selvagem não apresentam qualquer cor laranja. Na verdade,
a origem dos Bettas de cor laranja pode ser traçada
na criação de peixes de Limhengco.
Em 1996 e 1997, Limhengco começou a produzir peixes com uma tonalidade
laranja distinta. Eles eram expostos na classe de variações de cor
das exposições do IBC. Lembro-me claramente destes peixes - eles
eram novidade. Eles não eram nem amarelos nem vermelhos, mas uma
tonalidade entre as duas cores.
Limhengco mantinha uma linhagem de laranjas que era selecionada
pela qualidade de suas nadadeiras e outra pela cor. Os peixes não
eram perfeitos nem no formato das nadadeiras nem na profundidade
das cores, o que é inevitável quando uma genuína novidade está sendo
desenvolvida.
A origem da linhagem é interessante. Limhengco conta, "comecei
a cruzar os amarelos mais intensos e mantive cruzando peixes com
estas características. O que eu queria eram amarelos intensos, não
laranjas. Depois de várias gerações, eu os cruzei com um mármore
avermelhado sem iridescências ou escamas pretas.
Na primeira geração, não apareceram nem amarelos nem laranjas,
mas multicoloridos. Eu peguei os peixes mais fechados para o laranja
em cor e cruzei-os. Na segunda geração, eu selecionei uns poucos
peixes que tinham nadadeiras laranjas - não completamente laranjas,
mas bastante laranjas para distinguí-los dos demais - e cruzei-os
entre si. Eu acredito que o gene mármore de alguma maneira se modificou
em uma nova cor. Em minha opinião, os mármores são a chave para
novas cores."
As origens desconhecidas do laranja
Biologicamente, a cor laranja deve ser estudada tanto geneticamente
quanto bioquimicamente. O fato de que quando cruzamos laranjas com
vermelhos obtemos ninhadas vermelhas é consistente com o fato da
característica ser recessiva, mas a aplicação da terminologia não
é apropriada até que se estabeleça ou não que a característica é
controlada por um único gene.
Não seria de todo incomum encontrar um gene que altere bioquimicamente
o pigmento vermelho de tal maneira que ele reflita a luz em tons
de laranja, pois esta é a base hipotética da pigmentação dos Bettas
amarelos. Seria de grande interesse visualizarmos os cromatóforos
dos peixes laranjas para determinar se o pigmento é realmente laranja
ou a cor laranja deriva-se de uma mistura de cromatóforos amarelos
e vermelhos.
A maneira com que Limhengco descreveu o desenvolvimento da linhagem
é biologicamente consistente com o desenvolvimento de uma nova -
ou seja, desconhecida - mutação. Muitas das novas cores que temos
visto em Bettas não são novas biologicamente falando.
Elas são simplesmente novas combinações de cores conhecidas ou,
tal como as cores metálicas, desenvolvidas por cruzamento com animais
do tipo selvagem em que as cores já eram encontradas.
Mutações novas são raras e podem nunca acontecer em uma vida inteira
de criação. A hipótese de Limhengco sobre a influência do gene mármore
nesta mutação é plausível biologicamente. A marmorização descreve
um processo onde a pigmentação desaparece (e algumas vezes reaparece)
durante o tempo de vida do peixe. Variações de padrões são comuns
na natureza, desce a mudança de cor da pele de animais à pigmentação
das folhas de plantas ornamentais. Muitos mecanismos genéticos produzem
este efeito.
Um mecanismo genético é a transposição. Ela é causada por um gene
"saltador" que se move de uma locação do genoma para outra. Quando
um gene salta, pode silenciar o gene para onde saltou e, se o gene
controlar pigmentação, resultar em variações.
Bárbara McClintock ganhou o prêmio Nobel pela descoberta da transposição
em seus estudos das variações dos padrões do cerne de milho indiano.
Se a transposição é a causa da marmorização em Bettas
- isto ainda não foi bem estabelecido - então o aparecimento de
uma nova variedade de cor oriundo de um cruzamento com mármores
pode ter acontecido.
Tão extraordinário quanto o acontecimento da detecção e o desenvolvimento
de uma nova cor possa ser, o esforço inicial de Limhengco garantiu
a estabilização da cor. Não menos importante que o desenvolvimento
das linhagens originais foi a generosidade de Limhengco em assegurar
que a nova característica não se perdesse.
Na segunda metade dos anos 90, Limhengco encorajou outros criadores
a trabalhar com a cor laranja, dando sempre material a aqueles que
se interessassem em fazê-lo. Ele ofereceu estes peixes primeiramente
aos criadores amigos do IBC da América do Norte e depois aos outros
membros do IBC. Ele cedeu material desde 1996 para colegas no Japão
e para a Europa em 2000. Mais tarde, criadores em Taiwan e na Tailândia
foram agraciados com os peixes de Limhengco.
Limhengco não cria mais Bettas laranja, mas ele pode
orgulhar-se de saber que criadores do mundo todo estão agora trabalhando
com sucesso em fixar a cor que ele desenvolveu, em linhagens de
plakats, crowntails e halfmoons.
Gene A. Lucas, PhD.
g.a.lucas@worldnet.att.com
Revista FAMA - Janeiro 2008
Paulo de Freitas (Tradução livre)
pr.freitas@ig.com.br
Aquarista amador, desde 1973. Criador de Bettas,
Guppies, Killis e Bandeiras.
Publicação: 09/07/2010
Última
Atualização: 22.07.10 13:11
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