Existe um padrão que defina um excelente
HalfMoon?
A meu ver, a rigor, não existe um padrão, do tipo, amarrado, rígido
e, sim, um conjunto de diretrizes, recomendações, que, se seguidas,
apontarão para um conjunto harmonioso – dentro do conceito de quem
as escreveu –; ou seja, uma tentativa de padronização.
Qualquer movimento nessa direção, sempre será uma coisa que irá
agradar a alguns, e irá desagradar a outros; ou seja, qualquer padronização
é sempre baseada em conceitos subjetivos e, portanto, sempre suscitará
discussões e discordâncias sobre aquilo que venha a ser considerado
ideal.
Mas, podemos, usando apenas o bom senso, tentar desenhar algo que
poderá servir como um pontapé inicial nessa direção.
Vamos raciocinar em bloco:
- Qualquer Betta, seja ele long fin (LF) ou PK
(caudal longa ou caudal curta, respectivamente), deve apresentar
simetria, isto é; se traçarmos uma linha imaginária longitudinal
desde a boca do Betta até o meio do pedúnculo caudal,
a parte da caudal acima dessa linha deve ser igual (condição ideal)
ou bastante próxima daquela compreendida abaixo da linha. Aliás,
isso vale para qualquer tipo de caudal, não só para os HM e oHM,
como, também, CT, DT etc.
- Os raios externos da caudal (aqueles situados mais próximos
da dorsal e da anal) devem ser o mais retos possíveis (da base
até a ponta) - como se fosse um leque (desses antigos - de abrir
e fechar - que nossas avós usavam para se abanar).
- Os HM e oHM (não tão bons) possuem esses raios curvados nas
pontas, lembrando uma ventarola.
- A distância entre o meio da caudal e o pedúnculo caudal não
deve ser tão alongada (se for, fará peso para baixo prejudicando
o porte do Betta na sustentação da caudal) - isso
faz com que o Betta não mantenha a sustentação por
muito tempo da caudal (mesmo que o pedúnculo caudal seja bastante
largo - condição essencial para um bom HM, oHM, CT). Se essa distância
- entre o meio da caudal e o pedúnculo caudal - for menor do que
aquela entre as pontas mais alta e a mais baixa da caudal, menos
força o Betta necessitará para manter a abertura
e, particularmente, gosto mais deles assim.
- O que caracteriza o HM - observadas as informações acima -
é a abertura de 180° entre os raios externos da caudal. Abaixo
disso é considerado SD (super delta) e acima disso é considerado
oHM (over half moon).
- Outra coisa é o número de raios das caudais 2R, 4R, 8R, 16R
etc., que influenciará o pano da caudal; quanto maior a ramificação,
maior as dobras apresentadas nas caudais; quanto menos ramificação,
mais lisa ela se apresentará. Mas, isso é outro assunto (embora
esteja ligado ao atual tema).
Essa coisa de apresentar porcentagens entre corpo e nadadeiras
- não somente da caudal, e, sim, incluindo as anal, dorsal e pélvicas
- é meio radical, a meu ver, pois cada um tem a sua preferência.
O que se deve perseguir é o equilíbrio estético entre corpo e nadadeiras,
e isso vale para qualquer tipo de caudal (VT, DT, CT, SD etc.),
seja ele LF ou PK.
Em princípio, não me preocupo com esses valores, pois, se o Betta
mostrar simetria e equilíbrio, ele será agradável de se ver.
Como exemplo sempre falo daquele Betta perfeito -
no meu conceito de perfeição -, equilibrado, cor maravilhosa, oHM
(com 270°!!!!), raios retos, mas com 3 cm de caudal até a boca....
Será muito pequeno, não servirá como reprodutor e, para mim, não
servirá.
Pergunto: do que adiantou o equilíbrio
disso, daquilo, da abertura perfeita, se nas demais informações
o Betta não atendeu a um quesito importantíssimo
- tamanho (no meu exemplo)?
O tempo me ensinou a ter bom senso e a esquecer valores fornecidos
com muito rigor, pois o Betta tem que nadar com facilidade
e executar todas as suas necessidades vitais bem (acasalar, p.ex.).
Se a relação corpo nadadeiras do Betta lhe agradou,
ótimo - um corpo gigantesco e nadadeiras curtíssimas é pavoroso,
um corpo pequenino, mirrado, com nadadeiras gigantescas, caídas,
devido a não sustentação, também, é deprimente!
Que tal o caminho do meio?
Um corpo grande, forte, pedúnculo caudal vigoroso, nadadeiras tentando
preencher um círculo imaginário traçado a partir do meio do corpo
do Betta, compreendendo toda a periferia das nadadeiras
e a boca do Betta, isto é:
- Caudal encostando - ou mesmo, ultrapassando levemente as anal
e dorsal;
- O par de nadadeiras pélvicas encostando na anal, não tão alongadas,
um pouco cheias, de preferência;
- A dorsal formando uma espécie de topete para frente;
- A anal em forma de trapézio, com a base menor no pedúnculo
anal e a base maior na borda da mesma, lembrando uma "pata de
elefante"; e
- As bordas de todas as nadadeiras tocando na circunferência
do círculo imaginário.
É só uma sugestão. Tente visualizá-la.
Vitor Calil Chevitarese
vitorchevitarese@gmail.com
Aquarista hobbysta desde 1963, apaixonado pelo Betta
e sua genética, com ênfase na disseminação da idéia de preservar, manter e aprimorar
as linhagens existentes. Consultor do CEA - Centro de Estudos para Aquariofilia,
para assuntos ligados aos Bettas splendens e membro da AQUORIO.
Publicação autorizada: 22/07/2010
Última
Atualização: 22.07.10 13:12
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