Um estudo ampliado sobre o traço
amarelo nos Bettas
Em meu trabalho "Nova proposta de
um modelo teórico para explicar as relações entre Bettas
amarelos, laranjas, rosados, abacaxis e chocolates", publicado
no site www.bettabrasil.com.br,
com última revisão em 31/07/2010, não consegui abordar o surgimento
de Bettas vermelhos em ninhadas de amarelos claros
e/ou amarelos intensos e/ou laranjas.
Dessa forma, resolvi rever a estrutura do modelo proposto e amplia-la,
através de um novo enfoque, uma nova abordagem, pra incluir, também,
essa casuística, cada vez maior.
Relembrando, o traço que produz os fenótipos, amarelo e laranja,
nos Bettas, é chamado de "não vermelho" (non red,
em inglês), para reforçar a idéia de que não existe um "gene amarelo"
que produza essas cores.
Essas cores são consideradas mutações do pigmento vermelho - o
cromatóforo chamado eritróforo -, e não são causadas por um único
gene, e sim, por um conjunto de genes.
Essas cores, a amarela e a laranja são recessivas ao traço normal
(o vermelho).
No estudo do amarelo, todos aqueles que se debruçam sobre esse
traço fazem menção aos "genes" chamados nr1 e nr2,
propostos por Gene Lucas, há alguns anos atrás, sendo que
nr1 designa os Bettas amarelos propriamente
ditos, e nr2, designa os Bettas laranjas.
Dentro do grupo de amarelos nr1, temos dois subgrupos:
- tipo 1: os Bettas amarelos claros; e
- tipo 2: os Bettas intensamente amarelos.
Como dissemos no primeiro trabalho, esse tipo de divisão dos amarelos
é tremendamente subjetivo, e trás um complicador quando se deseja
enquadrar um Betta amarelo em determinado tipo.
De acordo com Gene Lucas, os amarelos são frutos do resultado
de um conjunto de genes, chamado nr1, recessivo (em
sua ação conjunta) para o tipo selvagem (que somente apresenta o
traço vermelho), enquanto que os laranjas possuem um outro conjunto
de genes, chamado nr2, também, recessivo (em sua ação conjunta)
para o tipo selvagem.
Até o presente momento, os conjuntos de genes nr1 e nr2
são tratados como coisas diferentes entre si, porém, no presente
trabalho vou trata-los como subconjuntos de um mesmo conjunto bem
maior de genes, e não serão mais chamados de nr1 e
nr2.
Essa hipótese é minha, e se mostra satisfatória para explicar os
resultados comprovados na prática, através das ninhadas de vários
criadores.
Imaginemos o quadro de Punnet representando o cruzamento clássico
e aceito, de dois Bettas vermelhos heterozigóticos
(portadores de amarelo):
| |
Nr
|
nr
|
|
Nr
|
Nr Nr
|
Nr nr
|
|
nr
|
Nr nr
|
nr nr
|
Teremos 25% de vermelhos homozigóticos - Nr Nr (que nunca
poderão produzir amarelos) - , 50% de vermelhos heterozigóticos
- Nr nr (que poderão produzir amarelos) -, e 25% de Bettas
amarelos - nr nr.
Dessa forma, podemos ver que dois vermelhos podem produzir amarelos
ou laranjas, desde que ambos sejam portadores de um mesmo conjunto
de genes (ou nr1, ou nr2).
Porém, é de se esperar que dois amarelos não possam produzir vermelhos,
pois o quadro de Punnett clássico representando esse tipo de cruzamento,
será:
| |
nr
|
nr
|
|
nr
|
nr nr
|
nr nr
|
|
nr
|
nr nr
|
nr nr
|
No entanto, o que se tem observado na prática, são muitos criadores
obtendo vermelhos nesse tipo de cruzamento, o que aparentemente
contrariaria a hipótese de o traço não vermelho (o amarelo e o laranja)
ser recessivo com relação ao traço vermelho.
Em outras palavras: se a afirmativa de que ambos os fenótipos não
vermelhos (amarelo e laranja), são recessivos para o traço vermelho,
cruzamentos de Bettas amarelos e/ou laranjas entre
si, nunca poderiam produzir vermelhos.
Como isso está ocorrendo na prática - pais amarelos gerando filhos
vermelhos -, fui levado a procurar uma outra explicação teórica
que abrangesse o que estava acontecendo.
Para complicar, ainda mais, a avaliação dos amarelos, existem os
pine apples e os chocolates (esses últimos, bicolores que apresentam
o corpo marrom - às vezes, café com leite - e as nadadeiras amarelas
escuras e/ou amarelo-esverdeadas).
Os pine apples apresentam no corpo uma cor de abacaxi (daí a sua
designação em inglês) - tipo verde acinzentado, ou mesmo uma mistura
amarela esverdeada -, quase sempre com uma espécie de rede preta
ou mesmo verde escura sobre o corpo.
Essa "malha preta" é o resultado de um efeito visual devido a um
fino contorno preto em torno de cada escama, e, na verdade, é o
mesmo efeito que aparece nos maus vermelhos, bem como, a presença
das mesmas iridescências verdes ou azuladas no corpo.
Devido a isso, os pine apples são considerados "vermelhos estendidos"
que tiveram uma modificação do pigmento vermelho (eritróforo) para
o amarelo (xantóforo).
E mais: o que representaria - em termos de fenótipo - um Betta
que possuísse em seu DNA o conjunto Nr2 nr2, p.ex.? Poderia
considera-lo um vermelho portador de laranja? E se fosse Nr1
nr2, teria um fenótipo diferente de um Nr2 nr1? Seriam
ambos vermelhos, sendo um portador do traço laranja (Nr1 nr2),
enquanto o outro seria um vermelho portador do traço amarelo (Nr2
nr1)? E o que seria um nr1 nr2? Seria um laranja portador
de amarelo, ou um amarelo portador de laranja? Ou seria um tipo
amarelo alaranjado (meio que nem lá, nem cá - uma coisa meio que
co-dominante)?
Muitas perguntas, nenhuma resposta, restando muitas dúvidas e incertezas.
Até hoje, não li nada sobre algo que me respondesse satisfatoriamente
essas questões. Ninguém, em âmbito nacional ou internacional se
quer, tece qualquer comentário a respeito.
Assim parei de falar em nr1 e nr2 (repare que, na
verdade, só se fala neles e nem uma palavra sobre Nr1 e Nr2,
pois, se nr1 e nr2 são recessivos, há as contrapartidas dominantes
representativas, que seriam Nr1 e Nr2).
Para mim essa representação complica mais do que explica, e não
se consegue trabalhar com ela, de forma prática, nos quadros de
Punnett.
Desse modo, só aproveitei nesse meu trabalho, do modelo tradicional,
os símbolos Nr e nr, que são aceitos universalmente
por todos aqueles que lidam com genética, e juntei a estes, as letras
minúsculas a, b e c, que representam três grupamentos
recessivos de genes (recessivos em sua ação conjunta, bem entendido)
- diferentes entre si - que produziriam, quando atuando em conjunto
com as possíveis combinações entre Nr e nr:
- os diferentes fenótipos de vermelhos e amarelos, de acordo com
a combinação indicada pelos pares formados por Nr e nr
(nos casos de a e b); e
- uma reversão no efeito da pigmentação resultante indicada pelos
pares formados por Nr e nr (no caso de c).
Em outras palavras, se o par for Nr Nr - que indica vermelho
-, então, Nrc Nrc, indicará um fenótipo amarelo que chamei
de amarelo revertido, e vice-versa, se o par for nr nr
- que indica amarelo -, então, nrc nrc indicará um fenótipo
vermelho que chamei vermelho revertido.
O modelo tradicional, continuaria valendo para aqueles Bettas
vermelhos e amarelos não portadores desses grupamentos recessivos
de genes adicionais (a, b e c):
- Nr Nr - vermelho homozigótico (VM)
- Nr nr - vermelho heterozigótico (VM)
- nr nr - amarelo (normal ou intenso) (AM)
Nessa nova proposta teremos a codificação:
|
H -
|
traço homozigótico
|
|
h -
|
traço heterozigótico
|
|
VM -
|
fenótipo vermelho
|
|
AM -
|
fenótipo amarelo
|
|
PA -
|
fenótipo pine apple
|
|
RZ -
|
fenótipo rosado
|
|
LJ -
|
fenótipo laranja
|
|
XK -
|
fenótipo chocolate
|
|
port -
|
portador de...
|
|
revs -
|
possui o grupo recessivo de genes que reverte
o fenótipo determinado pelo par Nr e nr
|
Assim, teremos os possíveis conjuntos de genes funcionando como
se fossem alelos e/ou pares de alelos:
|
Nr -
|
vermelho (dominante)
|
|
Nra -
|
que é igual a (Nr) + (a) - vermelho
dominante com o grupo de genes a
|
|
Nrb -
|
que é igual a (Nr) + (b) - vermelho
dominante com o grupo de genes b
|
|
Nrc -
|
que é igual a (Nr) + (c) - vermelho
dominante com o grupo de genes c
|
|
nr -
|
não vermelho (recessivo)
|
|
nra -
|
que é igual a (nr) + (a) - não
vermelho recessivo com o grupo de genes a
|
|
nrb -
|
que é igual a (nr) + (b) - não
vermelho recessivo com o de genes b
|
|
nrc -
|
que é igual a (nr) + (c) - não
vermelho recessivo com o grupo de genes c
|
Como resultado, teremos as possíveis combinações dos conjuntos
de genes, para definir nos quadros de Punnett, os possíveis fenótipos
de vermelhos e amarelos:
|
Nr Nr -
|
VM H
|
|
Nrb nrb -
|
RZ h port XK
|
|
Nr Nra -
|
VM H port PA
|
|
Nrb nrc -
|
VM h port RZ, revers
|
|
Nr Nrb -
|
VM H port RZ
|
|
Nrc Nrc -
|
AM H revertido
|
|
Nr Nrc -
|
VM H port revers
|
|
Nrc nrb -
|
VM h port revers, XK,
RZ
|
|
Nr nr -
|
VM h port AM
|
|
Nrc nrc -
|
AM h revertido
|
|
Nr nra -
|
VM h port PA, LJ, AM
|
|
nr nr -
|
AM H
|
|
Nr nrb -
|
VM h port XK, RZ, LJ,
AM
|
|
nr nra -
|
AM H port LJ
|
|
Nr nrc -
|
VM h port revers, AM
|
|
nr nrb -
|
AM H port XK
|
|
Nra Nra -
|
PA H
|
|
nr nrc -
|
AM H port revers
|
|
Nra Nrb -
|
VM H port PA, RZ
|
|
nra nra -
|
LJ
|
|
Nra Nrc -
|
VM H port PA, revers
|
|
nra nrb -
|
AM H port LJ, XK
|
|
Nra nra -
|
PA h port LJ
|
|
nra nrc -
|
AM H port LJ, revers
|
|
Nra nrb -
|
VM h port PA, XK, RZ,
LJ
|
|
nrb brb -
|
XK
|
|
Nra nrc -
|
VM h port PA, LJ, revers
|
|
nrb nrc -
|
AM H port XK, revers
|
|
Nrb Nrb -
|
RZ H
|
|
nrc nrc -
|
VM H revertido
|
|
Nrb Nrc -
|
VM H port RZ, revers
|
|
|
|
Aqui cabe uma explicação, através de um exemplo:
Na tabela anteriormente mostrada, temos que ter o seguinte cuidado:
- O conjunto Nra nrb, p.ex., não dará somente VM h port
de PA e de XK, e, sim, como podemos ter dois gametas fornecidos
pelo reprodutor - Nra nrb e Nrb nra, teremos, também,
devido ao gameta Nrb nra, VM h port de RZ e de LJ.
Logo Nra nrb, representará um VM h port de LJ, RZ, PA e
XK.
Outra coisa que podemos ver, é que chamei o conjunto de
genes Nrb Nrb de rosado, enquanto que o conjunto de
genes nrb nrb chamei de chocolate.
Por que não o inverso (Nrb Nrb = chocolate e nrb nrb
= rosado)?
Porque, em princípio, o fenótipo chocolate está mais para um padrão
amarelo do que o rosado, que lembra algo a ver com vermelho - como
um primo-irmão.
Temos que ter em mente que o trabalho nos quadros de Punnett com
conjuntos de genes fornecidos pelos pais em seus gametas, conforme
mostrado anteriormente, devem ser combinados entre si. Vamos ao
exemplo:
Sejam dois vermelhos com cargas genéticas Nrc nra e Nrc
nra, respectivamente. Teremos as seguintes células no quadro
de Punnett:
|
|
Nrc
|
nra
|
Nra
|
nrc
|
|
Nrc
|
Nrc Nrc
|
Nrc nra
|
Nra Nrc
|
Nrc nrc
|
|
nra
|
Nrc nra
|
nra nra
|
Nra nra
|
nra nrc
|
|
Nra
|
Nra Nrc
|
Nra nra
|
Nra Nra
|
Nra nrc
|
|
nrc
|
Nrc nrc
|
nrb nra
|
Nra nrc
|
nrc nrc
|
Logo, teremos vermelhos (diversos genótipos), laranjas (nra
nra), pine apples (dois genótipos - Nra nra e Nra
Nra) e amarelos (dois genótipos - Nrc Nrc e Nrc nrc).
Estas combinações diferentes e adicionais de conjuntos recessivos
de genes (a), (b) e (c) com os tradicionais
conjuntos de genes aceitos (Nr) e (nr), ajudam a amarrar,
nos quadros de Punnett, todos os casos de ocorrências de amarelos
e vermelhos.
Assim, continuaremos a ter, da mesma forma que no modelo antigo,
como resultados de acasalamentos entre vermelhos e/ou amarelos que
não possuírem os grupamentos adicionais de genes:
- VM x VM = 100% VM
- VM x AM = 100% VM (port. AM)
- VM (port. AM) x VM = 100% VM (c/ 25% VM port. AM)
- VM (port. AM) x VM (port. AM) = VM, VM (port. AM) e AM
No entanto, nessa minha nova proposta de modelo, podemos explicar
a casuística - que já se verifica nas ninhadas de muitos criadores
- de amarelos produzindo vermelhos.
Como exemplo, sejam dois amarelos (Nrc nrc) e (nrc nrb).
Os possíveis resultados desse cruzamento serão os seguintes:
| |
nrc
|
nrb
|
|
Nrc
|
Nrc nrc
|
Nrc nrb
|
|
nrc
|
nrc nrc
|
nrc nrb
|
Dessa forma, dois Bettas amarelos poderão dar filhos
vermelhos, sem ferir o princípio mundialmente aceito de dominância
do traço vermelho sobre os fenótipos amarelos.
Aqui cabe a observação de que o fenótipo resultante de um Betta
amarelo, laranja, vermelho, chocolate etc., ainda, poderá ser influenciado
pela ação de muitos outros genes - como, p.ex., o traço blond, o
traço camboja, a presença de iridescência etc.
Fechando esse assunto sobre os traços vermelho e não vermelho nos
Bettas, vamos falar sobre os chamados super red.
Mas, antes, necessitaremos falar um pouco sobre o pigmento preto
(os melanóforos), e a sua semelhança em estrutura com o pigmento
vermelho (os eritróforos), bem como, na sua ação sobre o fenótipo
do Betta.
Relembrando o que Gene Lucas escreveu em seu trabalho, "Os
Anjos Negros do Mundo dos Bettas", temos:
'Outro ponto ainda é que a extração dos
pigmentos vermelhos e pretos com hidróxido de amônia revela quantidades
consideráveis de pigmento pterina (pigmento vermelho) em ambos
os Bettas vermelhos e pretos.
E ainda: quando se examina os Bettas
pretos de perto, estes parecem ser pretos onde os outros são vermelhos!
...Uma conclusão que pode ser pensada é
que o preto e o vermelho são duas versões do mesmo pigmento.
E isto é algo além da melanina.
Se isso for verdadeiro, é possível que
os pretos não sejam melanísticos de todo!
Haveria uma "pterina vermelha" e uma "pterina
preta".
Ou, inversamente, talvez nós teríamos uma
"melanina preta" e uma "melanina vermelha!" '
Como um esclarecimento adicional, os eritróforos, certamente, contêm
pterina, da mesma forma que os melanóforos contêm melanina.
Como nada - ou muito pouco - se conhece sobre esses supervermelhos
foscos, tracei um paralelo entre o que ocorre nos Bettas
melanos (Bettas negros sólidos) - no que diz respeito
ao aumento do tamanho dos melanóforos - , e sugeri uma hipótese
que pode estar havendo uma mutação genética parecida - ou a mesma
- nos vermelhos, que produz um aumento no tamanho dos eritróforos.
Para que estes Bettas fossem representados nos quadros
de Punnett, poder-se-ia supor a existência de um par de alelos sr
- da inicial de super red - que, quando presente no
DNA do Betta, significaria a presença de um super
red, à exemplo do par mm, que indica a presença de um Betta
melano.
Esse par de genes (sr) faria com que os eritróforos (pigmentos
vermelhos) tivessem seus tamanhos aumentados e, devido a isso, cobririam
totalmente o corpo do Betta e, dessa forma, os melanóforos
em si, ou a ausência destes (no caso da ação do gene camboja, que
inibe totalmente o surgimento dos melanóforos), bem como, poderia,
também, cobrir um processo de marmorização (que, também, atua sobre
os melanóforos), ou mesmo o efeito do gene blond (suposto
existir pelo Dr. Myron Gordon, e que foi apresentado à comunidade
dos estudiosos dos Bettas, com o nome de "blond camboja"),
que enfraquece a ação da pigmentação preta sobre o Betta,
sem no entanto, suprimi-la totalmente, como é o caso da ação do
gene camboja.
Os traços super red e melano, ambos recessivos, ocupariam alelos
diferentes (lócus) no DNA do Betta, o que significaria
que, se ambos os pares de alelos (mm e sr) ocorrerem
simultaneamente no DNA do Betta, este se manifestará
como um multicolorido normal, porém, portador dessas características
(portador de melano e de super red).
E mais: baseando-me no texto apresentado no trabalho de Gene Lucas
(transcrito anteriormente), pode ser que os super blacks sejam frutos
de um super red sob a ação do gene dominante red loss (a existência
do gene red loss é uma hipótese aventada pelo criador Jim
Sonnier para justificar a ausência de vermelho nos Bettas
mármores, opacos e pastéis) - que modificaria esses super eritróforos,
para melanóforos, produzindo um fenótipo negro intenso.
Embora a ação "normal" do red loss atuando sobre um eritróforo
normal, seja a sua total supressão - conforme descrição proposta
por Jim Sonnier -, suponho que, no caso dos eritróforos aumentados,
ele não consiga, de todo suprimi-los e, sim, somente enfraquecer
o vermelho, tornando-os mais apagados.
Porém, como o tamanho dos eritróforos estão aumentados, pareceriam
algo escuro, grandes, que reforçariam o efeito negro causado pela
presença normal dos melanóforos existentes (que compõem qualquer
cor escura), já que os super red são cor de sangue, resultando em
um manto negro e fosco dos super blacks.
O red loss poderia, até mesmo, modificar os eritróforos aumentados
para melanóforos, baseando-me no texto do Gene Lucas, que propõe
que ambos os pigmentos (os melanóforos e os eritróforos), sejam
facetas de um mesmo pigmento.
Assim, um bom teste para se validar (ou não) essa hipótese de obtenção
de super blacks a partir de super reds, seria acasalar um super
red bem fechado - cor de sangue -, com um black orchid, ou black
lace (que, na maioria das vezes, são portadores de red loss), com
baixíssima presença de iridescência, e ver como se comportariam
os filhotes resultantes, no que concerne à presença de super blacks.
Um ponto contra esse procedimento é que o gene red loss tem uma
atuação muito instável, no que diz respeito à sua manifestação na
ninhada, muito parecida com a manifestação do efeito de marmorização
nos Bettas, a saber:
- ele leva um tempo (variável de indivíduo para indivíduo) para
começar a agir;
- o indivíduo pode ser possuidor do traço e, no entanto, não
apresenta-lo no fenótipo;
- o efeito da perda do vermelho pode, ou não, ocorrer em todo
o Betta e, por último,
- depois de ter o vermelho suprimido, o Betta poderá
voltar a exibi-lo (é o chamado red gain - ou ganho de vermelho).
Vitor Calil Chevitarese
vitorchevitarese@gmail.com
Aquarista hobbysta desde 1963, apaixonado pelo Betta
e sua genética, com ênfase na disseminação da idéia de preservar, manter e aprimorar
as linhagens existentes. Consultor do CEA - Centro de Estudos para Aquariofilia,
para assuntos ligados aos Bettas splendens e membro da AQUORIO.
Publicação autorizada: 12/08/2010
Última revisão: 13/08/2010
Última
Atualização: 13.08.10 22:16
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