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Bettas splendens x aquários comunitários

É usual para nós a imagem do Betta (Betta splendens) em seu aquário individual (quando não em sua “betteira”), mas no exterior essa imagem está fora de ser única e até mesmo comum, sendo montados vários aquários comunitários com a presença do Betta em sua fauna.

Alguns cuidados devem ser observados é verdade. Peixes grandes podem intimidar o Betta e fazê-lo ficar continuamente escondido, (embora o Betta seja aconselhado como fauna em aquário de kinguios) da mesma forma peixes não tão grandes, mas de atividade intensa, como os danios gigantes ou até mesmo paulistinhas podem ter o mesmo efeito.

Claro que peixes com hábitos mordiscadores como barbos sumatras e mato-grossos devem ser evitados pela forte atração que as barbatanas volumosas e esvoaçantes de um Betta pode representar para eles. Mas peixes não só podem perseguir, intimidar e/ou importunar o Betta, mas também competir tirando a ração (literalmente) da boca do Betta, já que este tem o hábito de “estudar e tocaiar” até mesmo flocos/grãos de ração.

Os Bettas delimitam um território (que na natureza representa aproximadamente um metro quadrado para cada macho) e o defendem de outros machos (daí sua agressividade não só contra sua espécie, mas contra peixes semelhantes, como guppies e representantes dos labirintídeos), sendo que na sua posição na coluna d'água é a próxima da superfície da água, aliás, gostam de ficar nos aquários perto da superfície apoiados em plantas altas.

Fêmeas por outro lado tem um instinto de territoriedade muito menor, podendo ser mantidas em pequenos cardumes nunca inferiores a 4/5 indivíduos, pois são peixes com forte hierarquia e em números menores as mais fracas serão perseguidas e atacadas até a morte por inanição ou ferimentos.

Quando se optar por manter o Betta splendens em aquário comunitário deve-se optar por um macho ou um cardume de fêmeas. Embora existam relatos de aquários de um Betta macho com um harém de fêmeas, esse aquário não são somente densamente plantados com plantas altas, médias e flutuantes (logo com diversos locais de fuga), mas também constam com diversos esconderijos formados por troncos, plantas baixas e pedras.


“BONS COMPANHEIROS”:

  • Platys;
  • Mollinesias (em especial a negra/balão);
  • Lebiste selvagem; e
  • Endlers.

    • Alguns tetras lentos como:

      • Tetra diamante;
      • Tetra glowlight;
      • Mocinha;
      • Pristella;
      • Lips;
      • Foguinho;
      • Tetra White trip;
      • Tetra limão; e
      • Tetra silver tipped.

    • Barbos pequenos e calmos:

      • Barbo titteya;
      • Paulistinha véu;
      • Tanicts;
      • Barbo xadrez;
      • Comedor de algas;
      • Flying fox;
      • Rasboras.

    • Outros:

      • Cascudos;
      • Ottos;
      • Corydoras;
      • Kribensis;
      • Camarão fantasma (de tamanho maior que a boca do betta);
      • Ampularia; e Lagosta filtradora.

Lembrando que Bettas são peixes de personalidade, podendo os indivíduos serem mais ou menos tolerantes sobre quem permitem dividir seu território ou sobre o que os intimida.

Podem ser considerados alguns outros peixes que embora possam talvez vir a importunar os Bettas, podem ser companhias caso estejam em cardume e que já foram registradas convivendo em harmonia com Bettas:

  • Espadas;
  • Tetra fantasma negro;
  • Tetra preto véu;
  • Rosáceos; e
  • Melanotaenias.

Logo caso se opte por esses peixes é recomendada uma atenção mais apurada até que se tenha segurança da harmonia de relação.


MAS PARA QUE VOU ENFIAR ESSE PEIXE NO MEU COMUNITÁRIO?

Betta splendens machos são por si, peixes atraentes, que em aquários comunitários, demonstram um comportamento complemente diferente do visto em aquários mono-espécie, aquários onde o Betta fica solitário.

Bettas fêmeas, assim como os machos, tem toda uma variação de cor que as tornam jóias vivas, cuja cor pode variar do vermelho rubi ao perolado margeado por nadadeiras negras-opala.

Assim como os machos em aquários amplos possuem comportamento impar e interativo explorando sem cansar toda a extensão do aquário com pausas para descanso nas partes mais altas das plantas.

Apesar do mito, da crença, da lenda urbana, Bettas não morrem afogados em aquários altos, sendo criados com saúde e alegria em aquário com 50 cm de altura.


COMO DEVE SER ESSE COMUNITÁRIO?

Como já foi dito a altura não é impedimento (pelo menos até uns 50 cm), sendo aconselhado aquários com pelo menos uns 60 cm de frente (uns 60/70 litros, no mínimo).

É aconselhável o uso de plantas altas (Vallisneria, Hygrophilas, Echinodorus, Ludwigia, Egeria, Ceratophyllum, etc) na flora, pois os Bettas apreciam descansar em suas folhas, principalmente quando elas ficam próximas a superfície e formam áreas de escape caso ocorram problemas.

Bettas gostam de se entocar em meio a plantas pequenas (Hemianthus micranthemoides, Samolus parviflorus, Cryptos, Blyxas, etc ) ou tocas de troncos/pedras/cerâmica.

O uso de plantas de superfície (Lemna, Salvinia, Pistia, etc) além de dar um ar mais natural ajuda na purificação natural da água.

Um filtro que rode de 3x (FBF, canister e FBM) a 5/7x (filtros externos e internos), luz condizente com a flora, um termostato para deixar a água entre 24 a 30 °C e alimentação de qualidade, aceita com facilidade rações industriais flocadas e em grãos, mas alimentação viva/congelada/liofilizada ajuda a realçar suas cores (só atente para que elas não sejam “desviadas” pela fauna antes de chegar aos Bettas).

Embora na literatura e na internet se encontre indicações de uma faixa de pH extremamente ampla para o Betta splendens, variando entre 6.0 e 8.0, entendemos que a faixa segura (em especial para os Bettas nascidos em cativeiro) seja entre 6.6 e 7.4, sendo o ideal um pH próximo do neutro (entre 6.8 e 7.2). Mantidos nesta faixa de pH (6.8 a 7.2), os Betta splendens tendem a realçar suas longas nadadeiras, evidenciando toda a beleza da espécie.



CONCLUSÃO:

Embora Bettas machos possam ser criados em aquários a partir de 10/20 litros (embora a diferença de preço entre um aquário de 10 e um de 20 litros seja insignificante para se deixar de optar por um até maior), e fêmeas a partir de 30/40 litros, o Betta apresentará um comportamento muito mais independente e ativo em um aquário comunitário.

Sendo uma opção também correta, prática e aconselhável, um aquário nano está muito mais sujeito a variações físico-químicas, do que um aquário mais amplo, onde a diversidade de plantas pode ser maior e onde um Betta (ou cardume de fêmeas) acrescentará um colorido todo especial ao aquário e onde o sistema de filtragem poderia ser forte sem comprometer a preferência dos Bettas por águas calmas.

Espero que essas palavras ajudem a expandir o conceito que temos de aquário para Bettas e que mais aquaristas optem por esse “novo paradigma”.



Victor Pax
victorpax-aquario@yahoo.com.br
Biólogo de formação, aquarista desde 1984 e moderador no fórum www.vitoriareef.com.br.

Esse artigo só foi possível na forma e conteúdo apresentado pela ajuda, consulta e contribuição dos amigos Tcl_smash (Eduardo), Edson Rechi e João R.G. Jr aos quais dedico esse artigo e minha amizade.


Fontes:


Publicação autorizada: 21/08/2010


Última Atualização: 03.07.11 17:27

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