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É mito Bettas splendens adultos possuirem respiração exclusivamente aérea?

Quem de nós nunca ouviu ou leu que Bettas adultos precisam ter acesso à superfície da água para respirar, sob pena de acabar morrendo afogado? Muitos de nós, com certeza.

Afinal isto está correto ou é mito? Já que o Betta é um peixe, possui brânquias e labirintos (desenvolvidos ao longo de milhares de anos, no processo evolutivo da espécie - adaptação ao meio), que lhes permitem também respirar o ar atmosférico. Ao contrário dos peixes da família Gymnotidae (Giminotídeos), como o Poraquê - peixes estes que realmente morrem afogados, pois tem respiração aérea obrigatória... Por isso são chamados de peixes pulmonados. Esses peixes possuem barbatanas formadas por músculos (e não formadas por raios epidérmicos como o Betta, colisa, pacú, coridora, etc), que permitem um apoio para o corpo, dando-lhes a capacidade de transpor terrenos “secos” - foram os antepassados dos anfíbios (rãs, sapos, salamandras, etc).

Resolvi colocar a prova, o que já me parecia óbvio. No meu aquário de 200 litros tenho 4 Bettas fêmeas.

Por que escolhi fazer a experiência no aquário de 200 litros?

  1. Para haver uma grande distância entre o peixe e o ar atmosférico;

  2. O aquário em questão, está bem plantado e saudável, com fartura de oxigênio dissolvido na água.

Aquário comunitário de 200 litros, escolhido para a experiência
Aquário comunitário de 200 litros, escolhido para a experiência.

Pela hierarquia das Bettas fêmeas, uma ficou na rabeira, com desenvolvimento prejudicado, ficando menor e mais fraca. Escolhi-a para fazer “o teste”. Por que escolhi ela?

  1. Ela seria a mais susceptível a doenças em caso de falta de oxigênio e a mais provável de “se afogar”;

  2. Pela perseguição, ela é a que se alimentou pior e estava mais fraca para resistir a qualquer problema;

  3. Pela perseguição continuada ela estava em constante stress e mais fraca (e com isso, teoricamente, nescessitaria de melhor oxigenação para se “recuperar”).

Acondicionei esta fêmea em um pote de maionese com a boca tampada com véu e uma pedra dentro (para se certificar que o pote afundaria e ficaria bem fixo no substrato).

Como o aquário é comunitário além das outras três Bettas, outros peixes poderiam (e cercaram) o pote, “montando guarda”.

Fêmea de Betta splendens contida no fundo do aquário, longe da superfície, impedida de respirar através de seus labirintos, por 96 horas.
Fêmea de Betta splendens contida no fundo do aquário,
longe da superície, impedida de respirar através de
seus labirintos, por 96 horas.

Durante os testes (96 horas), alimentei a Betta que estava contida no pote normalmente, afinal o objetivo da experiência era provar que não passava de mito, a afirmativa que Bettas adultos se afogam, sem contato com o ar atmosférico.

O resultado eu já esperava qual seria... A Betta sobreviveu, teve um comportamento ativo, normal e condizente com atividade de uma Betta fêmea adulta, nos 4 dias de seu “encarceramento”, apesar de ainda se deixar intimidar pelas demais Bettas.

A quem possa interessar, asseguro que acompanhei de perto o peixe durante a experiência - ao menor sinal de anormalidade teria interrompido a experiência.



Victor Pax
victorpax-aquario@yahoo.com.br
Biólogo de formação, aquarista desde 1984 e moderador no fórum www.vitoriareef.com.br.


Publicação autorizada: 23/08/2010


Última Atualização: 23.08.10 17:01

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