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Reprodução do Betta splendens - Procedimentos e etapas

Reproduzir Bettas splendens é a meta mais almejada entre os que adquirem esse belo peixe, este sem dúvidas é um momento que raramente veríamos se não fosse os vidros dos nossos aquários, emociona e reflete o quanto a natureza se comporta como uma sinfonia perfeita. Neste artigo irei relatar as etapas e todo o processo do qual o Betta splendens necessita para dar inicio ao seu processo de acasalamento.

Atenção: Antes de dar inicio ao processo de reprodução compre ou desenvolva a alimentação dos alevinos.


A ESCOLHA DO CASAL

Para obter sucesso em uma reprodução é necessário que o casal reprodutor esteja capacitado fisicamente, para isso, o ponto de partida deverá ser a observação da saúde das matrizes, pois durante o período de reprodução recomenda-se a não alimentação do casal, evitando assim que o macho venha a se alimentar dos filhotes depois do acasalamento e para também não correr o risco de sobrar comida no aquário berçário, algo que seria arriscado limpar durante esse período.

  • A fêmea deverá ser um pouco menor que o macho para que o abraço nupcial ocorra sem dificuldades;

  • A fêmea deverá esta ovada, a identificação é simples, a fêmea fica com o seu ovopositor bem visível e com a barriga redonda como na foto abaixo:

Fêma ovada com ovopositor bem aparente
Fotos: Amanda Santos

  • Escolha matrizes que já possuem uma formação de corpo e cor evidentes, ou seja, evite peixes que possuam pouca idade, na maioria das vezes as pessoas pecam em cruzar peixes com idade reprodutiva já alcançada, mas que ainda não mostraram a sua potencialidade em cor e formação de simetria;

  • O macho deve ser ativo e responder de maneira agressiva a estímulos visuais causados por outro peixe ou pelo próprio criador, essa agressividade é a principal característica da espécie e por aspectos seletivos é bem vinda a criação.


O AMBIENTE

Existe a adoção de vários tipos de ambientes para a procriação do Betta splendens pois a espécie não é exigente neste critério, aliás, há de ser dito, de todos os peixes vendidos em pets e lojinhas de aquário tirando os poecideos (guppy, espada, platy, etc.) o peixe Betta é o mais fácil de ser reproduzido, ganhando de todos os outros de sua família Anabantideos (colisas, tricogastes, Gourami anis, etc.), que são bem mais tímidos. A exigência da espécie é minima e remete basicamente a um ambiente tranquilo.

Veja alguns ambientes usados nesta fase:

  • Recipientes de plástico nas dimensões de: 30 cm (C) x 20 cm (L) x 10 cm (A);

  • Aquários (indicados com no mínimo 20 litros);

  • Garrafa Pet na horizontal;

Garrafa pet cortada na horizontal
Foto: Gabriel M. Batista

Recurso usado em várias pisciculturas para agrupar a grande quantidade de casais que devem, de acordo com a necessidade do empreendimento, se acasalar na mesma época do ano. Esse método deve ser usado com cuidado, pois há o risco de alguma das matrizes saltar para fora da garrafa.

  • Recipiente plástico dentro do tanque;

Recipiente plástico dentro do tanque
Fotos: Amanda Santos

Esse método é usado por mim desde 2010 e se mostrou muito eficiente. Uma daquelas tampas plásticas de cobrir bolo é cortada no fundo e um isopor ou folha de amendoeira serve como apoio para o ninho Todo o processo de reprodução se passa na mesma água que os alevinos irão ficar nas primeiras semanas de vida, pois a reprodução é feita dentro do tanque de crescimento não havendo assim transferência de local e o perigo da mudança dos parâmetros de água que eventualmente são levados a suportar. Quando é chegada a hora de soltar os alevinos o recipiente é simplesmente levantado, a atenção para o momento de retirada da fêmea deve ser redobrada já que não há a visualização direta do ninho. Todo o processo é acompanhado usando as referências comportamentais das matrizes.

  • Toda água usada no processo de reprodução deve está completamente livre de Cloro;

  • A coluna de água deverá ser elevada de 8 à 10 cm, esse procedimento tem impacto na sobrevivência dos alevinos, portanto, atenção neste critério;

Coloque o macho no local e disponibilize uma base para que ele faça o ninho, para isso coloque um pequeno pedaço de isopor ou de folha de amendoeira (castanhola para o NE do Brasil), um copo de plástico ou plantas naturais flutuantes. O importante é que o macho escolhido tenha uma base relativamente fixa e se sinta seguro para iniciar a construção do ninho.

Para estimular a construção do ninho normalmente coloca-se a fêmea dentro do mesmo recipiente que está o macho de maneira que o mesmo não tenha contato direto com ela, usa-se para isso um recipiente de vidro ou plástico menor que é colocado dentro do recipiente maior e dentro do mesmo a fêmea.


O ACASALAMENTO

Quando o macho terminar o ninho é chegada à hora de soltar a fêmea no recipiente que você escolheu para a reprodução, após a soltura da fêmea o macho irá insistentemente procurar dominá-la (Foto 1.1), seu objetivo é conseguir o abraço nupcial (Foto 1.2), muitas fêmeas se ferem algumas até chegam a morrer em decorrência das constantes e violentas investidas adotadas por alguns machos. Há também a possibilidade de ocorrer o oposto, o macho não consegue a dominação da fêmea e ela o agride podendo também matá-lo em alguns casos.

Seguindo o caminho natural a fêmea ficará com listras pretas e verticais, essa é a maneira de demonstrar interesse pela reprodução.

Durante o processo de cortejo o macho tentará trazer a fêmea para baixo do ninho de bolhas e quando finalmente a fêmea ceder ocorrerá o abraço nupcial e a soltura dos ovos (Foto 1.3).

Acasalamento
Fotos: Diego Vasconcelos

A fêmea expele de 400 a 1000 ovos por reprodução e ao soltar os ovos entra em uma espécie de transe voltando logo ao normal. No momento da soltura os ovos são prontamente fertilizados pelo macho que entre um abraço e outros recolhe os ovos no chão do recipiente e cuidadosamente os fixa no ninho (Foto 1.4).

Após três dias de fecundados os ovos eclodem e aparecem os primeiros alevinos (Foto 1.5).

Alevinos no ninho e explorando o aquário
Fotos: Diego Vasconcelos

Todo o processo de reprodução deve ser acompanhado de forma continua, porém, discreta pelo criador para que nada fuja do controle.

Após o acasalamento o macho irá tomar conta do ninho, refazendo bolhas e mexendo nos ovos quando necessário, neste momento ele ficará ainda mais agressivo e normalmente impõe limites territoriais bem pequenos para a fêmea que fica acuada do lado oposto ao ninho.

Por meio de observações o criador deverá está alerta a esse fato e retirar a fêmea para que nada de grave ocorra a ela.

Como já mencionado, após o 3º dia de fecundados nascem os primeiros alevinos que neste estágio se alimentam do seu saco vitelínico e nadam na vertical com dificuldade, quando já conseguem nadar na horizontal é a hora de retirar o macho e soltar a ninhada no lugar escolhido para o seu crescimento.

 


Amanda S. Santos
horizonte_betta@hotmail.com
Blog Horizonte Betta
Graduando em Física pela UFPB, Técnica em Edificações pelo IFPB. Criadora/hobbysta de Bettas de linhagem desde 2009, com interesse na área de genética e comportamento do Betta splendens, membro do CEA - Centro de Estudos para Aquariofilia, membro de fóruns nacionais e internacionais sobre o assunto. Apaixonada pelo aquarismo, sobre tudo, aquários plantados.


Pubicação: 02/07/2011


Última Atualização: 02.07.11 14:29

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