Betta: peixe ou brinquedo?
O Betta splendens, maravilhoso peixe e famoso por
seu temperamento que lhe valeu o apelido de “peixe de briga”, é
uma das espécies mais belas com inúmeras variantes desenvolvidas,
objetivando cores e formas. Apenas estas informações já seriam suficientes
para que ocupasse um lugar de destaque no aquarismo, mas vamos adicionar
a incrível forma de reprodução, onde, após o ritual pré-nupcial
manipulado pelo criador, o macho abraça a fêmea para que ela possa
expelir os ovos, fecunda-os e vai recolhendo um a um para depositar
no ninho de bolhas que ele já havia construído na superfície da
água. E ainda assume sozinho o trabalho seguinte de cuidar dos ovos
e alevinos.

Manutenção inadequada de
Bettas em pequenos volumes de água.
Mas há o outro lado desta história, não tão alegre como deveria
ser. Também é considerado um brinquedinho que os pais dão
aos filhos, sendo reposto após morrer em um curto espaço de tempo.
É que suas características de respiração pulmonar e resistência
a confinamento em recipientes pequenos não requerem grande investimento
em aquários e equipamentos, tornando-o a melhor opção para um “enfeite”.
Mesmo nessas condições ele poderia sobreviver por muito tempo, caso
todos soubessem qual a melhor forma de manutenção do peixe em sua
betteira.
Por ser um aquariófilo declarado, sempre me procuram para
tirar alguma dúvida sobre a manutenção de peixes e a frase que mais
ouço é “meu Betta morreu”. A segunda, "comprei
outro igual para meu filho não perceber que morreu".
Alguns são “mais preocupados” e já perguntam porque o Betta
está morrendo. Nesse caso, pergunto sobre os cuidados dispensados
ao peixe, principalmente alimentação e limpeza. Sempre respondem
com toda imponência que nunca falta comida e que o filho até
dá as "bolinhas" a toda hora. E o aquarinho sempre
é “lavado” para receber água nova.
Até imagino a cena: a betteira sobre a pia, o peixe indo para um
copo com a ajuda de um coador, vidros lavados com uma bucha já usada
para lavar louças, água da torneira usada para encher o recipiente
e pronto, peixinho já sendo devolvido à sua casinha.
O ápice foi um amigo me contar, rindo, que seu filho de 5 anos
havia esmagado o peixe com a própria mão!
Até agora não falei nada que os aquaristas, público alvo desta
revista, não soubessem. Mas vamos ao principal deste texto: nós
podemos e devemos ser a fonte de formação dos futuros aquaristas.
Se passarmos informações e orientações para que possam manter de
forma saudável os peixinhos, o sucesso será estimulante para que
mais e mais apaixonados pelo hobby surjam.
Vamos ver alguns pontos principais para a boa manutenção dos nossos
amiguinhos.
- Recipientes pequenos requerem muito mais cuidados, pois a água
pode sofrer alterações rapidamente. Se possível, adquirir um aquário
médio, onde poderão ser adicionadas outras espécies pacíficas
de peixes e plantas como a microsorum e a cabomba;
- A alimentação adequada é primordial para a saúde do Betta.
Vale a pena investir na qualidade dela, adquirindo uma boa ração.
Fornecer várias vezes ao dia e apenas o que ele poderá comer no
momento, sem deixar que acumule no fundo do aquário, sendo necessária
a remoção, caso isto aconteça;
- Colocar o peixe ao sol para compensar o frio não é a melhor
opção, pois este pode ser esquecido lá e sofre com o calor, além
de que as noites são mais frias. Aquecedores apropriados ao tamanho
da betteira são uma saída razoável, mas com cuidado e acompanhamento
para não cozinhar o peixe;
- Não lavar as betteiras, ainda mais se for com buchas e detergentes.
Basta limpar os vidros, sifonar os detritos do fundo e efetuar
trocas parciais regulares, repondo água desclorificada
e na mesma temperatura;
- A maioria dos problemas apresentados pelos Bettas
são originados pelas oscilações bruscas nos parâmetros da água.
Portanto, manter a água por volta de pH 7 e com temperatura de
26 ºC.
Américo Guazzelli
Artigo publicado originalmente na
revista eletrônica Aqualon
#12
Publicação: 16/11/2011
Última
Atualização: 16.11.11 17:37
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